quarta-feira, 22 de julho de 2009

Feitios baldios urbanos

Demorei para encantar um simples jardim
Nada especial, mas fagulhas de mim
para tudo quanto é canto
ínfimas parcelas semeadas
contribuidas
cooperadas
partilhas de desajeito
das quais
é bom tirar proveito
bom
jeca urbana
me sinto
repatriada a mim mesma
cumprindo a tarefa de alegrar
o drama.
Simples demais quando o canto
é de cor e salteado
Salvo engano
dou balão
nos desatinos
os quais tempero
com hermanos....

fins de mundo 'mundii'


me responda

com toda boa

ou má vontade

coçando o dedão do pé

a cabeça

bocejando

limpando as unhas

os dentes

mentindo a idade.

à toa

olhando sem ver

a janela

o namorado

a mulher

por favor,

se der,

como é viver num desses

finais de mapa distante?

aquela luzinha no breu,

um pisca-pisca do nada

saltitante?


ausência esparramada

Ao dormir no teu vazio
não adormeço
nem sonho
à noite às escuras
é frio
o passear pelos cômodos

terça-feira, 21 de julho de 2009

Mãos de água


Não vejo como me salvar

se não me estenderem

uma bóia de mãos de água

quando me perder no mar

Ao me encontrarem na onda

sereia

que me levem pra areia

numa bolha de ar

marinheira

heróis da água firme

O sagrado cerimonial da enganação secular goela abaixo.Estranhezas à parte, me banho em veredas.

Não preciso de um lugar só meu

o mundo é suficiente

aliás, ultimamente,

não cabe em mim

assim, um mundo sem fundo,

escarrado, nem frito, nem ensopado,

o menu já vem ensaboado

com um amontoado

de escremento vegetativo-animal

embalado.

Sorver o cardápio planetário

atual

me parece um ato

desatento, na verdade,

desculturalizado,

por quem frequenta

a estrebaria social

e se veste como quem

se abotoa de emaranhados

chinfrins

- credita no irreal

um virtual

Santo Graal

- adereços de encenação vazia -

fashion, sim, até inusitados,

só em aparências inventadas,

aquelas alegorias grifadas

- mostram muito o lado de fora

e nada por dentro -

plastificadas.

Poucos lêem

estão em carona constante

de Tvs e celulares.

A existência me interessa

assim como a sua textura.

Vez ou outra, encontro, surpreendemente,

alguém que pensa

intuitivamente.

Uma rara riqueza, ímpar,

que também se serve à mesa.

Aliás, alimentar-se, corriqueiramente

exige destreza, habilidade,

peregrinação e um leve toque de juizo,

acréscimos de encantamento

e sedução.

São sinais característicos

da pessoa devotada

ao sentimento.

Aqui, conheci a filosofia

da encarnação.

Por ora,

lamento

o habitar desse mundo

tão ausente

de despreendimento

e perdão.

E tenho razão em execrar

todo aquele,

jovem ou não,

para quem

cuidar da própria vida

tornou-se uma responsabilidade

a terceirizar.