sábado, 11 de setembro de 2010

Ao pé da orelha, o puxão sutil. Doeu!....

Tenho uma amiga
Bibi
da qual gosto muito
desde os primórdios da távola celestial
Algum planeta
a depositou carinhosamente aqui
nas membranas terráqueas
com lindos olhos azuis
Em conversa
outro dia, mesmo,
eu mastigava meus
substantivos, verbos,
advérbios,
adjetivos,
sujeitos aos 'humhum' dela
Na verdade, eu estava
falando das minhas coisas
e coisas das minhas
já preescrevendo
uma lista enooooorme
-como dizia Antonio, o belo ,nos anos 70 -
de quesitos caseiros,
requesitos domésticos,
aquesitos ainda por vislumbrar,
sem noção do horizonte
e do dispendioso acesso
ao meu almejar
Ela, serenamente,
rápida e econômica no comentar:
mas você não disse que queria
uma vida de simplicidade em Tiradentes?
...

Quem não gosta de flores?

Ganhei este presente em agosto
não foi um mês dos mais bonitos
mas essas petúnias sorriram
o tempo todo
e continuam...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um belo e simples consomeé ao repente da tarde

Ao abrir a geladeira
deparei-me com
tomates, batatas, chuchu,
batata doce branca
salsinha aos pares,
cebolas,
gengibre em demasia
uma pequena bacia de picadinhos minúsculos
variados de legumes
decorados:
cenoura, couve flor, brócolis
no armário
pimentas cravo,
louro,
azeite de ótima procedência,
e tantinhos a mais na imaginação
Solucionei a fome na chama familiar
herança de mãe
do fogão Dako sessentino
Palace Hotel
Mais ou menos assim:
uma cebola inteira cortada
em suas paralelas finas
gengibre ao murro
batatas inteiras
chuchu
devidamente limpos
descascados
então
ao azeite,
panela sob
chama ao léu tranquilo
até dourar
incluindo quase tudo,
por penúltimo
fatias grossas de batata doce
as sementes de tomates maduros
louro
pimenta sal grosso
tudo em pouquitos
mais os micro leguminados
água
só para cozimento no caldo marrom
Eleve-se aí a uns vinte minutos
bem observados
driblando delicadamente
aroma e cor.
Tomates fatiados grosseiramente
na finalização.
Surpreende-me
sempre
a harmonia dos ingredientes.
Por fim, o perfume de salsinhas
colhidas no canteiro de casa tiradentina,
cabinhos tenros e folhinhas rasgados
aos dedos de quem sabe saboreá-los
al dente.
O resultado ficou pronto para qualquer
senso irreverente.
Invente.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Algum dia, quem sabe, na maré dos náufragos em praia de sol , drinques e preguiça?...


Que onda me trazes?

A dos libertados

ou a dos libertadores?

Ambas vorazes

Em que cheia me presenteias

o tão só do teu

nó longínquo

passageiro e itinerante

de naus em que tu te volteias

teus ós

Netuno, Poseidon

Por que tratamos a infelicidade com tanto cuidado e carinho?


Talvez porque nascemos grudadinhos

e, por ser da família, damos atenção

comidinhas

água, bebidinhas

banho

levamos para passear

para trabalhar

para a escola

para o bar e para dormir

talvez porque seja de estimação

em nosso coração

mesmo quando nos chateamos e brigamos

perdoamos

sempre nossa companhia mais desagradável

não a descartamos

lado a lado

até quando, num descuido

nos alegramos

nos apaixonamos

nos desdobramos ao outro

ou à outra

e vemos que esse contato

magnífico, novo,

que nos arrebata

dura pouco

e lá estamos, novamente,

agarradinhos à ela,

a feliz infelicidade