terça-feira, 7 de setembro de 2010

Por que tratamos a infelicidade com tanto cuidado e carinho?


Talvez porque nascemos grudadinhos

e, por ser da família, damos atenção

comidinhas

água, bebidinhas

banho

levamos para passear

para trabalhar

para a escola

para o bar e para dormir

talvez porque seja de estimação

em nosso coração

mesmo quando nos chateamos e brigamos

perdoamos

sempre nossa companhia mais desagradável

não a descartamos

lado a lado

até quando, num descuido

nos alegramos

nos apaixonamos

nos desdobramos ao outro

ou à outra

e vemos que esse contato

magnífico, novo,

que nos arrebata

dura pouco

e lá estamos, novamente,

agarradinhos à ela,

a feliz infelicidade



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ombros confortáveis com air bags amigos. De fato? Duvido.

Tive e tenho amigos de doer
e a contar nos dedos pares
os ímpares são de outra linhagem
mas não posso nominá-los
pois não mereço
nem eles
são
- espero
que sejam -
curvas energéticas
de passagem
se demoram em mim
graficamente
avalio a incidência
se se espreguiçam
esqueço a procedência
languidamente
porque aprendi a ter dor desde cedo
nem é a minha rota
nem meu mote
muito menos
o meu desenho de jardim de infância
gosto de burlar os labirintos
sei fazer isso,
mas não evitar,
sei jogar e
aplaudir o vencedor
mesmo que não haja
truque da mente soleira
que manda recado ao interior decorado
que, por sua vez,
esconde a mentira
no bem elaborado reduto:
porão ou sótão
Senão,
vai ao largo mesmo,
descaradamente
não, não, não
nada anjos, nada geniais,
nada especiais
nem causais
casuais
tradicionais
mentalistas,
varietais
só sei que meu campo vibracional pegou outro rumo
Tem sutileza
delicadeza,
ética
Xeque.

Conheci uma pessoa que não acreditava que eu não lia mais livros

Livros e filmes
cinema e literatura
Meu alimento em décadas
no século passado


noite afora


dia adentro


e seus intervalos


Eis-me que
resvalo na contemporaneidade
do terceiro milenar


Por que?


Se nada a consumir minha mente
sem mais o alento
a crestar as pestanas
regurgito
falas e ditos
com enfado
Isso é triste
se é...


depois de devorar banquetes


de gentes geniais


em letras e palavras


Meu canibalismo intectual cessou


Não há mais gênios,


embora se achem ainda

Todos nascemos 1, uns zílhõens à direita e outros zilhõens à esquerda, ah, tem 1 zilhõens em qualquer outra direção. Somos 1 em zilhõens...Bom, não?

Igual a pavê de limão
leva isso e aquilo
no fim, uns acham azedo
outros doce
mas a receita é esta mesma
limão açucar creme bolacha
o lance é a forma e o ingrediente
fica lindo na mão certa
e horroroso na mão que não acerta
mas, é pavê.
Será a mão?
Ou os ingredientes?
Diga-me.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma nave estelar baixou em mim

De que cosmo?
De qual constelação?
Saiu do buraco negro?
Do inconsciente?
Da idade?
De que exercício mundano?
De que livro?
De que sonho?
Qual é a ilusão?
Sabes?
Pousou sem avisar
em quietude e silêncio
estrondosamente sem som
O primeiro nos abala
o segundo nos cala
porque somos ruído
Existe uma aberração em nós
que é a seguinte:
quanto mais falamos alto
e gritamos
menos nos ouvimos
e nem nos façamos ouvir
Por isso, ela pousa em garagens
intrínsecas
e nos emudece a mente
conversa ao pé do ouvido do coração, de coração, pelo coração.
Batidas fortes e surdas
incontroláveis
pressentidas ao indelével toque
sem vez aos sentidos óbvios
sussurra serenamente
e pede consistentemente
que não façamos escolhas
e sim acolhas
acolher, acolher, acolhendo
com Amor, aquele que é o próprio
que a boca diz
mas o coração não fala
Aquele que se faz
mas não se pratica
pede que sejamos livres
de nossas próprias prisões internas
desapegados e atentos ao erro do que foi passado
não voltaremos
Voltamos,
é diferente
Pede que sejamos a Soma do tempo
liberto
sem deixarmos de viver a vida
à nossa frente, de cara
Pede, ainda, que nos despreendamos
de nosso peso
e essa é a melhor parte e a mais difícil
pois precisamos deixar aquele velho lastro
gravitacional
orbitando a guelra existencial
Alguém aí me diz que não é possível?
Pois, é paradoxal
É
possível
Nossas escamas viram asas
e asas
viram nada
e nada
viramos nós
É o que somos.
Livres.
Amamos
Somos amados.
Tá na Cara!
Só falta um clique
ou clic.
Capice?