quarta-feira, 9 de outubro de 2013

adoro ver meu amor caminhar

porque me faz andar junto
passo a passo
se tropeçar
tropecei
meu amor me corrige
sorri:
se trombar, trombei
 amor abraça e ri
foi assim que nos conhecemos:
chorando e sorrindo
e que bela, a dela,postura humana
empertigada
sensual e corajosa
virginiana

domingo, 25 de agosto de 2013

Hoje, nem dormi

 E se o fiz
 acordei
me lembro do chão da cozinha
chorando
meio desajeitado
como é a saudade
de joelhos
Uma voz me tocou ao telefone
Atendi
Ecos maravilhosos do passado
que não encardi
nem embacei
meu espaço
pequeno
Porque
mesmo em dor
me  redescubro
feliz
e descubro
que me apaixonei
dormi solteira
e na bebedeira
acordei casada
com duas cãs...
Eu e as cadelas
Um pássaro
Uma lua
 Um ipê do vizinho
um bolo de laranja
um arroz queimado
um violão mudo
uma sogra mafiosa
Por que a gente não tem mais medo
de caravelas portuguesas
Sou o aborígene
em fado
em orquídea
me deleitando
em rendas e prendas
do verbo amar
bem maturado.


domingo, 28 de julho de 2013

Imponderável nossa passagem Terra

Apreendi com os celestes
que a vida em Terra
se faz de conta
E assim permaneço
no posto de vigia que me coube
Não sondar
apenas vigiar o horizonte
Está aceso ou apagado?
Vou Lá e o alimento
com grãos de Órion

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Em tua companhia, alma

Sigo com a minha quase quieta
bebo e me alimento à tua sombra gigante
Ouço teu ressonar e cantas a canção de ninar
Teus passos apenas roçam o chão
Sussurram na relva
Como é teu coração
Teu dormir e acordar
me desperta


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Nunca fomos a Paris

Sai de fininho como quem
já morreu de rir de tudo
e me deixa nuvens 
que só um gênio desenharia
O que elas dizem?
Que todas as minhas lágrimas
se condensaram
e choveram
e chovi
Assim como rimos todas as décadas
e vivemos num eterno abraço
de almas amigas
A fé é indolor?
a fé é dolorosamente a dor?
Disfarçada, maquiada
engana a dor?
À la Fernando Pessoa
À la Maria Bethânia
que você tanto amou
Esta lacuna é imperdoável
Queria ir também
me ensine como se faz isso

(ao meu mais genial e maravilhoso amigo José Riviti)