sábado, 1 de dezembro de 2012

O que choca o mundo, previsão Maia

Nem pensar que somos nós e que isso vai vingar...
Deveria
Mas, chocar?
Não somos mais aves
Nem mais humanos
Apenas sem as penas, 
cansados de bracejar
imitar
copiar
tentar
estudar
as asas das quais nos perdemos...
inventamos motores
turbinas
foguetes
alimentamos com voracidade````````````````````````````````````````
inconscientes```````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````` (?)
o impulso para os céus`
A Terra
nosso colo
nossa casa
nossa mãe
quanto desprezo por ela...
Porque nos vemos o quão horrorosos
nos tornamos no espelho
Ninguém quer se responsabilizar por espoliá-La
A Terra
como se fosse um útero vadio...
Então?
Sobrevivam ao caos!



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Somos a Casa de onde viemos

Moramos em nós a alma que habitamos
aqui e esquecemos
 nossa Casa mesmo está no sentir,
a construímos continuamente  pedra por pedra
tijolo por tijolo, tábua por tábua
mesmo que seja um cômodo ou dez ou mil
não há espaço para nós o suficiente
assim
afora nós
e novamente a queremos construir
por onde andamos
e ainda não nos satisfaz
queremos mais
às dezenas e às centenas
mais 
e
até não podermos mais
porque a vestimos  pedra,  tijolo,  tábua
e o fazemos em carne, a que odiamos,
nos incomoda a carne,
não a compreendemos,
as vísceras grudentas, pegajosas, macilentas
que cheiram a torcemos o nariz
não resiste ao tempo
que nos resiste:
fingimos gostar, admirar,
então
roubamos as flores, as ervas, as especiarias
porque nossa casa concreta inútil as inveja
belo verniz
imitamos uma natureza feliz
a que não possuímos
nos possui
Nossa Casa não pode ser edificada aqui
porque ela está dentro
em todo canto de nós
fora daqui



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O vir e o ir


Estou na estrada
a estrada  me leva
Eu levo a estrada
Nos seguimos
A estrada e eu
Eu e a estrada
Olho para trás
Ela olha para frente
Olho para frente
Ela olha para trás

                                                                                                                                                Nos olhamos lado a lado
simultaneamente
Ao redor
 Também a linha do horizonte
Lá longe
então
o atrás
vai sumindo
e lá na frente
vai ressurgindo
Como esvaziar um copo cheio
Ao vento
E descobrir que  vai
De novo
Se enchendo
Com o esvaziamento



terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ainda um ínfimo cheiro perfumado de vida por aqui

Uma certa hora da noite
 os apartamentos escuros se enchem de luzes
brincam nos arredores aromas
de banho, perfumes, lanches
Hora de passear com os bichinhos de estimação
de falar com namoradas e namorados
de combinar com amigos a balada
talvez, os  mais reclusos  preparem 
um cardápio elaborado, 
junto à TV, o som, o livro
Não há uma rotina discrepante,
dissonante
É possível ouvir a água que sai da máquina de lavar,
o elevador, 
o abrir e fechar dos portões,
mesmo assim
permanece o perfume da vizinhança no ar
Café coado, omelete, carne de panela com batatas
cerveja, 
às vezes a maria joana
entra no ambiente e este
nada estridente nem repugnante
Guardam os carros, vão à academia ou simplesmente
dão voltas no quarteirão
Nem tudo está estragado
Nem tudo está perdido
Nem todos estão bichados
e doentes
Pode até que sim
quem sabe
Muitos escolhem estar à sós, 
de bem
Serão estatísticas algum dia?
Não deixam de estudar e de trabalhar
Falta algum drama?
Tragédia
Conflito...
Sei não





quinta-feira, 22 de novembro de 2012

meu telhado é um céu de beleléu

Se o quero ver
subo no banquinho, na pia e olho o horizonte
pela janela basculante da cozinha
ou vou ao jardim, subo no banco de madeira
piso na grama, canteiro, peço licença aos galhos e flores
tudo se vê na planície invertida celestina
posso caminhar até lá fora
mais paisagem ainda me espera
abro o portão
miro a serra
o quadrante de arredores
sossegada está a aurora
que me acompanha desde menina
a tarde
a noite
madrugada
feito piscapisca
de árvore natalina