domingo, 22 de julho de 2012

Novos malditos contos de fada

...

Não era uma vez

Foram várias vezes...

Lá vinham eles

debruçados sobre o berço

babando

rosnando

dentes podres à mostra

um hálito fétido

e unhas feito punhais

Destilavam estórias de ninar

pesadelos

O mar bravio

o navio a pique

a noite tenebrosa

um céu de arrepiar

e trovejante

assoviava a tempestade

a tripulação destemida

alucinada

cantava:

rum, rum, rum

um trago de rum

e cortamos a cabeça de qualquer um...

Saque
pilhagem
piratas da alma ,
tesouros,

segredo,
armadilhas,

um X
na trilha de bobagens :
pedacinhos de miolo de cérebro

Lá vem a fada:

gritam os céus

enfim

foda-se!

Sombras à sombra

Às escuras

tateio a tua sombra

que

às claras

manuseias a minha

À luz

manuseio tua sombra

às escuras

tateias a minha

segunda-feira, 16 de julho de 2012

a noite e o vento de julho

Os dias têm sido assim
depois da neblina, clarezas
que correm em pequenas rajadas de vento
e se estendem na noite e madrugada
um repassar interno da estação
inverno-me ao sol
aqueço-me às estrelas
A portinhola do forro tremula
avisa
é ventania na casa silenciosa
O relógio na parede segue pontuando
delicado e intermitente
segundo a segundo
quase sem fim
Quase tudo dorme em vão
nem eu nem o vento nem a noite

sábado, 14 de julho de 2012

Aqui dentro tem uma luz lá fora

É da vidraça



que transparece



a viagem



do olhar



Entrópica



fenixiza-se na paisagem fresca e perfumada



transmuta-se nas cores vermelha, amarela, verde e lilás


levita em asas pássaras


espanando o algodão do silêncio




pois, a solidão às vezes




vem para fincar seu garfo




na matéria da noite maturada




outras vezes




a dissecar a anti matéria da manhã


Acende-se imantada





segunda-feira, 9 de julho de 2012

Vermelho, Amarelo, Verde: Pare, Olhe e Escute

São códigos que não salvam vidas, somente

Salvam a vida

Aquela, ali, que ninguém dá conta, nem paga 10%

Interna

Parece tolo imaginar que somos Vermelhos

E somos, por isso temos que seguir em Amarelo

Depois, passando no teste, ficamos Verdes.

Mas, nada disso vale se não pararmos, olharmos e escutarmos

para seguirmos Verdes.

Tão sutil, óbvio, subliminar

que nem pensamos mais

e isso é a charada

o xeque

o derradeiro

o beco com saída