domingo, 6 de novembro de 2011

Planeta Terra, náufraga à vista

Mundo
corro atrás de você
nas asas de uma borboleta
violeta
me prende na ponta do alfinete
Mundo
corro atrás de você
nas garras de um caranguejo
me põe vivo na panela de água fervente
Mundo
corro atrás de você
no casco de um altivo nelore no pasto
me abate com martelo e me serve no churrasco
Mundo
corro atrás de você
no cantar de um pintassilgo fidalgo
e me cala na agonia da extinção engaiolada
Mundo
corro atrás de você
feito pipa ganhando a imensidão do céu
a linha de cerol corta a jugular de quem roda ao léu
Mundo
corro atrás de você
nas barbatanas de um surubim pintado
e me fisga no anzol para fatiar minha espinha
Mundo
corro atrás de você
com meus galhos frondosos
e ceifa minha sombra no machado
Mundo
corro atrás de você
lavando com minha água doce teu cansaço
e me prende em rios de esgoto
Mundo
corro atrás de você
com meu solo fértil que cresce em teu prato de comida
envenena minhas entranhas com herbicida
Mundo
começo a correr de você

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ás dos aventais tecidos, Marcelo Blade, alfaiArte

Evento após evento

em Tiradentes (MG/BR)

lá está presente

Marcelo Blade

- de Belo Horizonte -

alfaiate exímio na agulha,

tesoura, giz, fita métrica,

régua, alfinete,

arte à ponta do espeto

Um esgrimista do riscado,

bordado, brocado,

espirituoso

na

costura

de aventais

de inusitado

feitio

para

gourmets


domingo, 11 de setembro de 2011

Serra São José, Tiradentes-MG, três dias em contínua combustão




Um vento
e
basta
A vida queima
escorre a fumaça
só se vê o rastro do carvão
Um vento
sacode
O tempo desembesta
só se vê a vidraça
do lado de fora
da escuridão
Um vento
esbarra
O cristal trinca
a vista embaça
e leva ao escorregão
do embora
Um vento
espana
a fagulha se inflama
dispara o fogo
incisivo desde o chão
Um vento
estala
O mataréu envergalha
vira palha
esparrama cinzas
no que resta da floresta
Um vento
assovia




não sobra planta, pássaro, bicho,




plantação




Criminoso ou não,




o fogo não queima a culpa,




alimenta-a




continuamente.












(uma homenagem aos bravos voluntários e bombeiros )








quarta-feira, 31 de agosto de 2011

confeitos insones

De olhos fechados
desperto
Teus gestos afetados
de perto


A alma lambe
rindo as asas feridas
em ziguezague

domingo, 28 de agosto de 2011

Sara e Cura, para quem aprende

Os antigos diziam assim:

ponha a doença na panelaça

que passa

Na verdade,

faço isso

sem saber porquê

mais é para ver

se você

se anima

eu, não ligo a mínima,

gosto mesmo, sim,

de uma boa conversa

de estar em festa

com a vida

Me interessa

teorias e alegrias

não invejo o fracasso

a mágoa

a tristeza

porque

problema,

querido,querida,

é a solução

matemática

da antipatia

que chega ao resultado

simpática