domingo, 17 de abril de 2011

Já bebeu saudade?

Saudade dá de beber na cruz



saudade dá de comer no verbo



saudade dá de iludir na equação



saudade dá no ventre



saudade desenterra a morte


pela fresta da raiva



saudade dá na distância entre um ponto e outro


do tormento



saudade salga o rio



saudade amarga a sobremesa



saudade ressaca a maré




saudade vomita, de repente, a felicidade




saudade aborta o umbigo do êxodo




saudade




se bebe a luz pelo escuro

sábado, 26 de março de 2011

As luas de Lua



Escondes tua lua cheia
em tsunamis de nuvens escuras
Ela te descobre em pelo
no brilho das ruas
Oitenta anos
Não é tua idade
Mas nem vês que a Lua
já vai e vem há milênios
mirando teu âmago escancarado
em boemia
em falácia
em azia
estômago protuberantemente lotado
em tua dessintonia
Tratas de te ver no ver da Lua

Transpiras
Corres
Comes
Bebes
Trabalhas
Transas
Barganhas
Mentes
Escondes
Divertida e presumível
é tua passagem por aqui
Que tédio deve ser tua vida
para a Lua
tão próxima
tão cheia de nós
tão cheia de ti

Tanto que ela irá embora
Agora
só voltará em 2091
Tu a vistes hoje?
Algum dia já ?
Não a verás jamais
desta maneira
Então, nem outras maravilhas
que acontecem todo o santo dia
à revelia de tuas atitudes quotidianas
Na tua quase vida vazia
na tua cara
de cara para
a abóboda brilhante
A Lua exuberante
espia
(Ribeirão Preto/SP 19/03/2011)

Os antigos sempre falavam: paciência de elefante...

Lógico que respeito os antigos
aqui até me incluo
como a Jó
à jabuti Thethê
devagar se vai longe
ou devagar e sempre
- comigo é divagar sempre -
mas adoro alguns pés da letra
A do elefante (ou elefoa)
é a melhor, pois lá vem sempre a enorme memória,
na patada que nem poderia imaginar,
ou armazenar em tamanho.
Pensemos: paciência de elefante...
E quando ele perde a dita cuja?...

sábado, 19 de março de 2011

Nunca vi nada disso no meu País em 58 anos de vida


Olhem só
Não é por que é ,é porque é
Que bela foto e que belo momento
Não ví nada parecido até hoje
Daqui para frente
olhem e vejam
o histórico
em milênios
posso ir embora tranquila
Trabalhei para isso
Trabalhem também
para melhor

quarta-feira, 16 de março de 2011

A bela vida feia, a feia vida bela

A fusão do mundo está em lenta
e progressiva ascenção
o planeta humano em fundição
ao longo de milênios nos desenvolvemos
alimentando a servidão
e a legião de servidos
criando rebanhos de sangue
tanto para nos alimentarmo-nos
quanto para nos enriquecermo-nos
no resumo da barbárie herdada
e a civilizada
leis que se prestam aos que a fazem
e desprezam os que nelas acreditam
Recentemente, em nossa história
desastres de toda ordem
são atribuídos a forças poderosas
sobre os mais fracos
Estamos falando também de memória
aquela que age agora
não a esquecida das originárias origem
O movimento voraz é o mesmo
Carnívoro, entrópico, doentio
Não há outra espécie para a subjugação
Matamos o tempo todo
Para o quê?
Viver?
Não, não há no planeta humano vida inteligente