quarta-feira, 16 de março de 2011

A bela vida feia, a feia vida bela

A fusão do mundo está em lenta
e progressiva ascenção
o planeta humano em fundição
ao longo de milênios nos desenvolvemos
alimentando a servidão
e a legião de servidos
criando rebanhos de sangue
tanto para nos alimentarmo-nos
quanto para nos enriquecermo-nos
no resumo da barbárie herdada
e a civilizada
leis que se prestam aos que a fazem
e desprezam os que nelas acreditam
Recentemente, em nossa história
desastres de toda ordem
são atribuídos a forças poderosas
sobre os mais fracos
Estamos falando também de memória
aquela que age agora
não a esquecida das originárias origem
O movimento voraz é o mesmo
Carnívoro, entrópico, doentio
Não há outra espécie para a subjugação
Matamos o tempo todo
Para o quê?
Viver?
Não, não há no planeta humano vida inteligente

quinta-feira, 10 de março de 2011

Carroças e carroceiros V16 fazem um saldo trágico nas estradas brasileiras

Assim como em casa
motoristas e motorizados
não têm a mínima noção de ângulos
nem dos curvos
nem dos retos, muito menos nulos, agudos, rasos, côncavos
A margem de erro entre o quarto, a sala
a cozinha e o banheiro
evidencia-se na capotagem de móveis
e objetos decorativos esbarrados 'sem querer'
O volante para a maioria dos CNHs
é quadrado
O freio, é buzina
Retrovisores e painéis, adereços:
o pterodáctilo avant gardée
'high tech'
principalmente com luzinhas acesas
e uma vozinha metálica
dirigindo para assassinossaurus
no 'comando'dos mais arrojados modelos
da voraz indústria automobilística
Aqui incluo um contigente assustador de caminhões
Ah, falando em ângulos, ei-los, os mais obtusos.
Assim como se dirigem dentro de apartamentos, varandas e casas
Vão eles às ruas, avenidas e o pior:
estradas
Nada sabem sobre Física, força centrípeda, por exemplo
porque sairam do berço
tentando vencer a Lei da Gravidade
Para muitos, é a ereção.
Por isso, temos a maior e mais grave
estatística do feriadão da alegria pagã 2011: 213 mortos
assassinados nas estradas brasileiras.
(Um aumento de mais de 47% desde o ano passado)
Nada modernas, por sinal.
E daí?
Os carroceiros não sabem mesmo trafegar
na civilidade do lar, do jardim de infância, das escolas, das universidades, do trabalho, dos relacionamentos...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

À noite, serena a cheia

Enquanto não chove
e os grilos cochicham entre as folhas
cato pérolas
Enquanto nuvens brincam de esconde-esconde
e um cão melancólico ladra no escuro
cato diamantes
Enquanto não ressoa o coaxar de rãs chuveiras
cato cristais
E lá vou garimpando ouro
na escuridão da noite que ronca no motor
honda da motocicleta
subindo a rua em ladeira
Ouço asas pássaras espanando galhotas mamoeiras
cato, então, as luzes das sombras
em bateia insone
Cato pegadas de mãos largatixas
cato o visgo fosforescente de taturanas
e das teias aracnídeas
Feito risco de seda
Cato prata acesa
nas pétalas da flores que fingem dormir
A lâmpada ligada em baixo consumo da noite
me lembra a lenha gemendo no fogão antigo
E ainda assim
está à míngua a chuvarada fevereira

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Alguém aí no Cosmo, jogue a bóia!

Eis a penúltima cancela antes do mata-burro e a pirambeira
A tropa está aqui
Rezem. Orem. Leiam.
Raios partam os primeiros, mas há risco
de saírem inteiros.
Arteiras, inteiras.
Portal com uísque de milho e garrafa de videira
tinta
na algibeira
Paiol de veracidades na engatilhadeira
Armazém de amenidades na ribanceira
Transitam e transmitem falsidades sorrateiras:
a maior parte, verdadeiras
Cigarros e chicletes combinam barbaridade com saideiras.
Virei poeta 4 x 4, só não sei catar cavaco
em estradas de avessos e poeira.
Como-as mentalmente. De fasto.
Arruaceira.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O estilingue vivo da palavra


Dizem os especialistas em óbitos





que os humanos estão mais longevos





embora os cemitérios estejam abarrotados,





em sua maioria, de jovens do gênero masculino





negros, pardos e pobres





Como não sou especialista





e, como parte de outra minoria,





sobrevivente,





fico imaginando, em tardes de muito calor,





se haveria a mínima possibilidade





vivente





de se responder ao caos e ao alto vivo contingente





humano sobre a Terra,


(em desigual desvantagem,


cujas semelhanças se tornam


a aberração em comportamentos)


com pedradas certeiras de letra





Explico





Se alguém não gosta de alguém





a ponto de tomar atitudes 'drásticas'





colocasse na agulha da arma





uma bala perfeitamente legível





feita da palavra ódio





ou, se alguém se incomodasse





com alguém





e afiasse a lâmina da faca do 'desgosto'





com a língua de saliva ácida





ou, no punho erguido e fechado





pronto a socar o 'inimigo'





carimbasse a face do opositor





com frases: tu me temes e mais temo eu





ou, ao queimar documentos e prédios públicos





(leia-se, histórias de todo mundo)





flambasse sutil e rapidamente em perfume





o passado e o presente





reavivando-os sem danos


e justos






E assim, a cada lixo jogado nas ruas




plantassem um árvore,




a cada chuva, armazenassem um rio,




a cada criança parida,




adotassem uma órfã,




reduzissem matadouros e abatedouros




a hectares de grãos e pomares,




abrindo gaiolas




Que respeitassem os ciclos da vida






Mas, quando querem o sangue jorrando


a dor latejando de horror



a mágoa, o erro e o fracasso



como desculpas,



só uma solução:




não há salvação nem evolução.




Fadados ao abismo da ignorância

letrada e iletrada




estão




pois nascem da ilusão de um Planeta




em ascenção




Também imagino




uma pilha de gente tentando




umas sobre as outras




alcançar o 'céu', o 'paraíso'.




No caso, as planícies e o horizonte plácidos.




Se a idéia for outra,




aquela do lucro e do luxo,




piorou,




pois é uma viagem mais distante ainda




com vários atalhos,




nos quais os perdidos,




chegam ao fim, entupidos




de que não há fim



para a maldade sem fim