quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Vagas ao Lume (~~~~tétis~~~~)


Clareia minha vidência clara

em claro clareira à vista

chameia minha clareza

afogada em luzes raras

de chamas abertas em faísca

A Era do Infinito Começa Agora: benvindos a uma nova infância

Estou tão feliz
que Hoje só quero brincar
fazer festança
ao seu lado
Levo até uma flor de lis
tão ao seu agrado
Pareço criança
a engatinhar

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Hoje é a contagem regressiva do Agora em pleno suicídio terrestre

Contrário aos meus desejos
fiz hoje vários apelos
aos deuses inomináveis
como sou
e você também
porque somos
Não há uma receita de bolo e massa
que eu acerte
ponto pacífico
Faço misérias e riquezas na cozinha,
mas docinho,
massinha?
Tô excluída de qualquer tentativa
Assim, também faço na vida
Fazemos.
Barbaridades arrasantes com nossa sapiência
genial de poucas virtudes
e utilidades
Não somos para leigos
Estamos ao vapor do verão
deu um semibreu na Lua
deu um semiblecaute na Terra
Romântico
Oras, nem vi
Estava dormindo
Pois deveras sonhei que me vestiam de uma indumentária
alvíssima e brilhante
uma túnica oriental, sem mangas,
de seda e cetim
mal cabia em mim
Disse,não,não, não
Me aperta, me sufoca
veio, em sonho, minha mãe Alice,
ela me disse:
mas, eu e sua irmã Naila sempre a usamos...
Enfim, acabei pelada, magra e pálida
me vendo num espelho fixado no corredor
frente à porta do quarto onde eu estava
Foi melhor eu me despir do peso...
Acordei.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Refúgio exúvio etéreo

Fogem-me as borboletas




no ramalhete silvestre




Sob o disfarce de libélulas




pressinto-me ao avesso




no espelho d'água




Areia meu esconderijo




o brejo urbano




em bando defendem-me




aos alarmes pássaros tejos




Cobrem-me beija-flores




com asas helicópteras



Uma página em branco



me torna um invisível prestes



em nuvem



Meu silêncio se refugia em



tempestades de verão



enquanto meu coração



viaja ao som de trovões



ensurdecedores
Meu belo cavalo alado
o azarão
de unicórnia lança
me leva no instantâneo raio
antes que a mutação da vida
cesse minha paz e minha guerra
com uma pá de cal
formol
em bacia inox retangular
Levem-me, amigos, até onde nem a vista alcança
Levem-me, amigos,
para o boteco sideral mais próximo
na esquina cósmica da contramão
para transeuntes e motorizados
principalmente os que vêm atrás
e os que não saem do lugar













sábado, 18 de dezembro de 2010

As miragens celestinas


Gosto de andar pela casa

e seus caminhos

uns ajardinados

e floridos

outros acomodados

e bem servidos

cada cantinho

tem um carinho

apesar de simples

e pequena

cresce na luz que entra

na luz que sai

o branco, o safári,

a palha da taquara,

os desenhos em ladrilhos antigos pelo chão de cimento

os cabides de roupa

amadeirados

outros em ferro desenhado

rosas e guarda-chuvas

fechaduras grandes

quase tudo na cor da bandeira italiana

em plena edificação colonial

suas linhas retas

suas telhas encoxadas

as pedras são tomé

outras de vários recantos

que enfeitam muretas

mas é na cabeça do quintal

que passeiam as nuvens

das quais amamos as conformações

de vento em vento

passam do brocado

ao liso esvoaçante

quase que instantaneamente

vestindo o plácido azul

celestial