sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Novos dias, novos rumos, a véspera de nós mesmos

Apesar de toda a euforia
política e institucional
angariei sonoras perdas neste ano
caladas, vagarosas, intensas,
a maioria
presumo
de prejuízo irremediável
O ganho partiu-se de outra esfera
em partículas
assim como me parece
a nobreza estelar de pleno desconhecimento
das necessidades quando se é, ainda, humano
pergunte-se onde larguei o ser
Sei Lá.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Eliodora é Bárbara


Fomos numa manhã de sábado

até sua casa antiga

teto baixo na entrada

janelões, taquaras, cômodos desnudos

Ao nu está seu busto de bronze

no jardim pelado

e nos olha dentro enquanto é fora

Nos olha fora enquanto é dentro

bem defronte, a imponência colonial

religiosa

nada franciscana

mas de São Francisco em torres

sinos, escadario

verte o cinza e o cobre espesso

Contrasta com suas paredes brancas

e janelas azuis royal

Sua imagem se veste férrea

assim com foi a sua história

de mulher
(para saber mais só indo a São João del Rei-MG-BR)

A falta preenche tanto espaço que até faz falta um espaço

O silêncio posto a ferros
gruda feito chiclete que se mastiga
sozinho aos berros
como um espichar viscoso
e perfumado de dentes e língua
baba no decote sem alça
um cuspe à míngua

domingo, 12 de dezembro de 2010

Que nome tens?

Em alto mar
vigio o horizonte mutável
com olho de astrolábio
Sou crista de vagalhões planisféricos
de conteúdo instável
movediço
pronta a lançar em terreno firme
qualquer tipo de naufrágio

Dorme, dorme, dorme

O acordar
enquanto coo o café
olho
a réstia da manhã
nuvens brancas
se entrelaçam
de vento
cobre-as de ouro
um sol enorme
de alento
dorme, dorme, dorme
amanheço acordada
de pé
Já dizia o Zé
meu amigo ora ítalo,
ora franco, ora inglês
lá vem a vida manca
toda em português