domingo, 12 de dezembro de 2010

Que nome tens?

Em alto mar
vigio o horizonte mutável
com olho de astrolábio
Sou crista de vagalhões planisféricos
de conteúdo instável
movediço
pronta a lançar em terreno firme
qualquer tipo de naufrágio

Dorme, dorme, dorme

O acordar
enquanto coo o café
olho
a réstia da manhã
nuvens brancas
se entrelaçam
de vento
cobre-as de ouro
um sol enorme
de alento
dorme, dorme, dorme
amanheço acordada
de pé
Já dizia o Zé
meu amigo ora ítalo,
ora franco, ora inglês
lá vem a vida manca
toda em português

sábado, 11 de dezembro de 2010

À grande família pequena, brinde às saúdes




Em casa, Tiradentes, MG, BR


que poucos conhecem


mas muitos gostam


fizemos um final de semana


acontecer


ao sabor de nossa gratidão


e com o coração cheio de retratos amigos


Em homenagem ao familiar


sem ser preciso o dna


nenhum parentesco


mas, aqueles nascidos


de ventre de trigo.


A fome bateu.


Sobrinhão e querida Evê,


olhem só o gourmet:


bacalhau do Porto


arroz integral


batatas


uvas passas


cenoura


cebola e alho


gengibre


azeitonas pretas


tomates longa vida


ovo de galinha caipira


azeite Borges


cenourinha


com pimentinhas moídas


e a glamourosa dedo de moça


Só uma ou outra pedrinha de sal grosso
creme de nata por último


Vinho Toso, tinto.


Posso ter esquecido


o dia seguinte,com alguma dúvida.


Não havia...








sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Por que tudo agora

A fresta do tempo se impacienta
à porta do embora
no rapel de falsas esperanças
as verdadeiras pousam para fotos
sobe, sobe
sabe
a busca por um ímpeto de saliência
que leva junto o crivo da alma
feito cabresto
laça-me o ângulo imperfeito
na cilada da calma que descora
sem trégua

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Que pensas? Sonhas? Eu também: a pressa se apressa

Sou margem

sou rio

a traquinagem

do barco
no redemoinho
de calafrio
Pressinto sua bússola
sabe meu endereço
de doce sombreado vazio
em gloriosas flores secretas
atadas à mim em deliciosa
boemia eclética
- assovio
Lá a ferida em fístula cármica
da alma
sara
Se cura
no atavio
do dia e do tarde
Morde
com seus caninos
de estio
meu cio em alarde
Não passo de um terreno baldio
alagado.