terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ela está dentro... e fora


E vai e sobe e voa
nada como gente à toa
eu
em terra
mirando um único ponto tangível no horizonte
e ainda faço continência
admiro o vento
a biruta do aeroporto
a rajada de muitos fôlegos
soprando a aeronave
que entorta a curva
com as perninhas
feito passarinho
sem pressinha
segue...
em asa turbinada
de leve

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estilhaços existenciais em suspensão


Minha química humana





não é solúvel em água





nem ar, terra, fogo





talvez a alquímica da alma





faça toda essa compostura





existencial



em rasura





pelos poros da insustentabilidade





sustentável





não seja , de pronto, insolvente,





talvez, insolente





entre mim e você





houve a precipitação





do heterogêneo





genial





o externo semissólido





o interno insólito



desde o som



ao musical





Deixo meus cristais





parcialmente sofrendo





em líquido incompatível






estou em vida feito escarro






grudada em cuspe






na etérea


manufatura em barro


inicial






sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ao turbilhão da catarse






deve ser como catar-se






depois de sermos esmigalhados






pelo tornado da mente e seus abjetos






quando revolve o porão






o sótão











que carregamos na ordem e desordem











em equilíbrio e desequilíbrio











crendo que tudo se resume ao sim e ao não











aninhando aos socos, palavrões e pontapés











lágrimas, cabelos arrancados,











tremores, tombos, rancores,











mágoas, decepções,











fantasias e ilusões,











sonhos mal acabados,











ao espelho do contrário das expectativas,











perante o outro de nós mesmos a quem nos acusamos











no baú trancado da alma inflamada











pela via de acesso mais escura











onde ressona a raiva











enquanto o ódio descansa











ambos prestes ao estopim











em faíscas intermitentes











lançando dardos sadomasoquistas











como alinhavos grosseiros da postergada











loucura






em completa varredura de seus






guardados e achados






cuidadosa e desastradamente






quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ao Viver me sinto em férias


Não tem hora para dormir



nem acordar



Fazer a cama pra quê?



Café da manhã,



só se valer também na madrugada



TV falando sozinha desde cedo, tarde



e noite afora



Ligar e desligar à vontade



Música, toda ela e se gostar só aquela



Camiseta, havaiana, calça de abrigo,



no frio



no verão, bermuda e camiseta e havaiana



que importa?



Comer, nada de almoço, jantar,



vale a fome de qualquer coisa



e seja uma coisa que valha



ir ao fogão por prazer



e fazer o prazer



senão, solicitar um dos itens de cardápio



delivery



nada sujinho, engordurado:



pão


ou não

e



alfacinha, ovinho, tomatinho,



queijinho,



peixinho



quem sabe aliche



pizza



gorgonzola



Um tinto Casanova



bem provado


levinho


cerimoniado


Tudo é tempo


e tempo é Nada


Vagarosamente



Lave as partes


todinhas


banho nas partículas


estilhaçadas


compactas


Como um jardim: perfume-se


aos olhos


Separe o lixo


como se fosse pássaro


e


borboleta



pois é assim


que é Viver no Planeta
Espane a vizinhança
faça cócegas nas amizades
no amor
use um travesseiro e cobertor
se fizer calor
refastele-se
Não grite
sussurre
cochiche
à raiva e ódio
mostre os dentes
sorrindo
É um deserto,
mate a sede com água...
Promova o batismo
O mais importante,


alimente e guarde muito bem o seu animal


não, não aquele ente,


como diz Sobrinhão,


mas o ser que é você


ao natural















terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma quitanda de coragem e vá a via

passe pelas gôndolas
e vá colocando na sacola
morangos
limão siciliano
sementes de abóbora
pimentas dedo de moça
grão de bico
maço de agrião
macadâmias
tomatinhos
tudo muito eco
desavergonhados
deixe as uvas de lado
ficaram comuns
tome um café
fume um cigarro
gasolina no tanque
pegue a estrada
nem devagar nem depressa
tem chão à beça
jóias de mentirinhas
as de verdade
tudo se leva na bagagem
não esqueça suas bobagens
perfume
pinça
chinelo havaianas com tiras transparentes
um gatorade
halls
vodca
a máquina digital
que clica e filma
documentos e cash
atravesse cerrado e serras
amuletos
prosaicos
eternos
diletantes
siga
pelas estradas sem acostamento
curvas e altas
no seu lado direito
olhe à frente
lados
retrovisor
xixi
leve papel higiênico
e reze
pois
quem sabe onde quer chegar...