segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Maçã podre

Partilhas as sobras desse amor
em 'amores'
como se fossem tuas
colhes os restos e os armazena
para dar à boca de famintos
grotescos
que já se acostumaram aos rejeitos
assim como tuas entranhas
estranhas
mendigando favores
ainda que se vista de cetim
aos andrajos de tuas tramas
tramas
contra mim

domingo, 8 de agosto de 2010

Unhas,cabelos, seios, cílios e alma postiços

São próteses do ego
muletas do id,
aliadas às tecnologias do super ego
entre ostras e cracas

Albatroz, alba mia, mia alba a sós


Errante

austral

habita

Geórgia

bi anual
- extasia pura
teu olhar

tens plataforma continental

me asas

em tua envergadura

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Estranhos na lavagem

Tudo é muito rápido hoje


colocar gasolina no carro


ainda demora um pouquinho


assim como dormir


mas, lanchar, beber, falar,


tomar banho, escovar os dentes,


mudar de canal,


de visual,


puxar o gatilho, a faca,


trocar de roupa


são segundos efêmeros.


Normal.


O que é mais estranho na correria


é levar o que se usa e veste


para a lavanderia


Voltam detalhes surpreendentes.


Uma única peça


em todo esse jogo,


algo alienígena,


diferente


salta estranhamente à sua coleção de grifes,


embora seja grife.


Parece um vírus


quando se separa item por item


e lá está o desconhecido,


para você,


pois não é para alguém,


mesmo assim,


ao invés de gerar ondas,


dá choque...




segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Plantando batatas ao lusitano Teófilo Braga e ao holandês Van Gogh


Minha nova atividade sensorial
resume-se a este reaprendizado
totalmente novo e inusitado
afrouxando a gargantilha
de rubis
desatando meus nós de ouro e diamantes
desvestindo até o próprio cognitivo
de seus berloques pedantes
Desfaz-se a água cheia de bolinhas
brilhantes
e gelo
substituída pela torneiral
Vou a campo
sob sol, fardo, curvaturas incômodas
da espinha dorsal
dobraduras férreas,
triangulares
Mas, só assim,
carpindo, arando, gradeando,
semeando o sólido,
o bruto
me sinto menos estúpida
quando olho o plantar
sutil e súbito
de meu vivencial.
plantando batatas