domingo, 8 de agosto de 2010

Unhas,cabelos, seios, cílios e alma postiços

São próteses do ego
muletas do id,
aliadas às tecnologias do super ego
entre ostras e cracas

Albatroz, alba mia, mia alba a sós


Errante

austral

habita

Geórgia

bi anual
- extasia pura
teu olhar

tens plataforma continental

me asas

em tua envergadura

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Estranhos na lavagem

Tudo é muito rápido hoje


colocar gasolina no carro


ainda demora um pouquinho


assim como dormir


mas, lanchar, beber, falar,


tomar banho, escovar os dentes,


mudar de canal,


de visual,


puxar o gatilho, a faca,


trocar de roupa


são segundos efêmeros.


Normal.


O que é mais estranho na correria


é levar o que se usa e veste


para a lavanderia


Voltam detalhes surpreendentes.


Uma única peça


em todo esse jogo,


algo alienígena,


diferente


salta estranhamente à sua coleção de grifes,


embora seja grife.


Parece um vírus


quando se separa item por item


e lá está o desconhecido,


para você,


pois não é para alguém,


mesmo assim,


ao invés de gerar ondas,


dá choque...




segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Plantando batatas ao lusitano Teófilo Braga e ao holandês Van Gogh


Minha nova atividade sensorial
resume-se a este reaprendizado
totalmente novo e inusitado
afrouxando a gargantilha
de rubis
desatando meus nós de ouro e diamantes
desvestindo até o próprio cognitivo
de seus berloques pedantes
Desfaz-se a água cheia de bolinhas
brilhantes
e gelo
substituída pela torneiral
Vou a campo
sob sol, fardo, curvaturas incômodas
da espinha dorsal
dobraduras férreas,
triangulares
Mas, só assim,
carpindo, arando, gradeando,
semeando o sólido,
o bruto
me sinto menos estúpida
quando olho o plantar
sutil e súbito
de meu vivencial.
plantando batatas

domingo, 1 de agosto de 2010

as noites que não dormem

estalam feito gravetos
na cama em chamas
queimam as palhas do dia
debaixo do travesseiro
chamuscam as pestanas
sobre o colchão
ditos e escritos são folhas ressecadas
plenas de combustão
no lençol
ardem
dos lóbulos das orelhas
à boca do estômago
inflamam as membranas do pensamento
aquecem em demasia o corpo
a alma
goteja labaredas
e antes que haja o suplício
derradeiro do sacrifício
insone
um simples instante
se congela
delicadamente
pés alados da eternidade
pisam uma a uma a dor
apagando-a
com toques cauterizantes
e o sono nocauteia
o antes
prepara-te novamente
para o próximo round
efervescente
c'est la vie...