domingo, 1 de agosto de 2010

as noites que não dormem

estalam feito gravetos
na cama em chamas
queimam as palhas do dia
debaixo do travesseiro
chamuscam as pestanas
sobre o colchão
ditos e escritos são folhas ressecadas
plenas de combustão
no lençol
ardem
dos lóbulos das orelhas
à boca do estômago
inflamam as membranas do pensamento
aquecem em demasia o corpo
a alma
goteja labaredas
e antes que haja o suplício
derradeiro do sacrifício
insone
um simples instante
se congela
delicadamente
pés alados da eternidade
pisam uma a uma a dor
apagando-a
com toques cauterizantes
e o sono nocauteia
o antes
prepara-te novamente
para o próximo round
efervescente
c'est la vie...

'Ai mi souri', Vizenzo ou será Juvenzo?


Uma nova e deliciosa figura

mefistofélica
ou será mefistotélica

está 'assustando' frequentadores de um mercadinho

no bairro Irajá, Rua Chile,

em Ribeirão Preto (SP)

Diz o funcionário que o nome dele é

Vizenzo...

Nós o chamamos de Nono, ' Ser ou Nono Ser':

tanto 'ele' quanto sua companhia na bandeja

conversam....

São munidos de sensor de presença,

ligados na tomada.

Tire uma, também

como Don Dieguito

Da Ordem de Maria, Regina Marium


Diz Ela que virá em sua maior comitiva




através de seus Anjos batedores




limpando os caminhos




arejando os ares




reacendendo a verdadeira Luz




de nossa existência




compadecida de todos




os seus seres




em clamor por paz e redenção




Regina Marium


ao gosto do agosto


em quinzena aberta


aos 12 estelares


de vossa gloriosa misericórdia:


pios e convictos estejamos.

sábado, 31 de julho de 2010

Confesso: eu pecã


Vou dizer e pronto

(é verdade, não me envergonho)

levei mais de cinquenta anos de vida para ver e comer

a noz pecã

Colhida no pé da árvore,

segundo a lenda

com esquilo na parada

cuspindo as aparas centrais, amargas, na cabeça do ' barnabé',

que são pessoas como eu e outros, embaixo do pé,

ouvindo e relatando

seus detalhes e sutilezas, provindas de Botucatu (SP).

Não é de facileza:

você tem que guardá-la em saquinhos de papel;

quebrá-las só na mão atritando, uma contra a outra,

duas de cada vez;

retirar as aparas entre suas metades perfeitas,

aquelas, que amargam,

driblando esquilos.

Bom, estes eu os deixo à vontade.

entendem de pecã milhões mais que eu.

Perfeitas na forma, no sabor, no doce, no amargo e no degustar

gourmet.



(minha admiração à Kele e Diego)

Nada prometo, prometo

Às vezes, nossos caminhos
são ao vento
de asas
outras , ao pó de pedras
contornando ou escalando
os obstáculos
planando
muitas vezes, nos pesam
e nos agarram
as dificuldades
as impossibilidades
já trilhei muitos desses caminhos
ao escuro, ao desconhecido,
ao que é permitido
enxergar
e ver
lembrar e esquecer
mais claros agora
em que as sombras
são devoradas
pela luz
mesmo ao silêncio
ouvimos
sentimos
enquanto prossegue a nossa jornada
a natureza cumpre o tratado
ancestral
de nossa existência
ciente de que não
cumprimos nem a ínfima parte
do que nos foi dado
ainda assim
me seguem, em revoadas,
seus mensageiros
entrelaçando minha passagem
aos bordados
de uma oração
mais uma vez
soube
que não é a minha mente
que necessita de remédio
e sim
o meu coração