terça-feira, 1 de junho de 2010

HE, asas de lágrimas iluminadas



Poderiam ser de papel


de algodão


folhas


flanela


cipós


rolhas


sapê


cílios


feno


capim


asas de cetim


ou de cinzas


de ares


nuvens




areia


serragem


asas de alta voltagem




vento


pétalas


de pontos cardeais


meridianos


de latitudes


atitudes


asas de digitais


células


íris


ventrais


asas de


fótons


prótons


íons


átomos


asas dos sentidos


abertas aos portais


acesas


radiantes


como chamas


etéreas,


asas da eternidade em brasa.



( re-criação literária, humana, em vias de desacoplagem, à base de mãos dadas, grudadas, faladas e mentalizadas, em meio às mineirices, paulicéias e panacéias cósmicas em vias de acoplagem, sempre em benvindos e chegados aos escâncaros )

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mar de Sangue na Faixa de Gaza, Israel aprendeu direitinho a se vingar antes de qualquer ação de vingança...

Poderíamos sugerir que se mude o nome
para Ataduras de Gaza

A portinhola do forro e o vento do amanhecer


Ao quase adormecer,

a madrugada faz sua vassoura de vento

vasculhar o forro da casa,

são nuvens que rastreiam

a alvorada

lá fora

A aragem fresca

balança galhos e folhas.

Ouço a portinhola

do alçapão tremular.

Segue em sinfonia com o despertar do dia

a cantoria dos galos.

domingo, 30 de maio de 2010

Uma bola, um gol, milhões de chuteiras verdes e amarelas

Todo brasileiro quer fazer gol,
de qualquer jeito
bonito, feio, torto, direito
gol é gol.
De canela, de trivela, de bico,
bola curva, no morrinho,
resvalando trava adentro,
olímpico,
na paradinha do pênalti,
fora da área,
de goleiro a goleiro,
de bicicleta,
de canhota,
de braço, de mão,
de letra, de sola,
de falta, de escanteio,
de craque, de calcanhar,
de susto.
Gol de placa,
até mesmo aquele sem querer.
Serve um campinho de terra
de grama, de pasto
de quintal,
vale a pelada,
o sábado,
no meio da rua,
na escola,
na favela,
praia,
gol de domingo
improvisado,
na garagem,
na varanda,
na calçada.
Brasileiro é louco por gols.
Ganhar, até mesmo sofrer.
Ahn? Futebol?
Ah, é mesmo...
Quase esqueci...

A magia do despertar tem o despertar da magia

Hoje acordei no frio de outono
junto à serra São José,
com foguetórios e sinos cantando
saudando romeiros e religiosos
à festa da Santíssima, desde às 3 da manhã
Me deu vontade caudalosa de cozinhar
feijão e fazê-lo de modo tão espesso
e suculento
quanto irresistível ao paladar.
Após um amanhecer cheio de neblina
ouvindo saudações ao microfone
reza, convites à população,
abro a casa ao sol,
à luz do quintal verdejante:
pássaros me esperam na renovação das sementes,
na limpeza das águas,
do orvalho gelado sobre folhas e brotos.
Nesta tarefa quotidiana me somam
uma cã botequeira, enrolada na caminha quente
e uma jabuti, entricheirada
debaixo do guarda roupa.
Lá fora, as asas inquietas dos beija flores
ziguezagueiam a quietude da casa.
Ah, é mesmo, o feijão.
Claro, vou cozinhá-lo com notável solidão.
Dessas em que se pensa no despertar
e sua inquestionável amplidão.
Não sou o tamanho da dimensão,
mas sei arrumar meus agrados e meus enfados.
Sem tango, nem samba.
Quanto mais, bolero.
Lembrei-me que acordei
cantando Paulinho da Viola,
Tudo se transformou.
'Violão, até um dia...'
numa passagem ao piano de arrepiar ossos.
'Ah, meu samba...'
(Ontem, acreditem, dormi com Frankie Valli & The Four Seasons,
I've Got You Under My Skin...)
É ou não é?