segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ainda não é o fim do mundo, portanto, retornem já às suas almas...

Esse negócio de enfiar os pés pelas mãos
de jogar a sujeira debaixo do tapete
falar abobrinhas
agarrar com unhas e dentes o bem alheio
virar casacas a cada ciclo de eleições
trocar alhos por bugalhos se lhes é conveniente
tirar o cavalo da chuva
ao aperto do cerco
prometer mundos e fundos
sem fundo algum
pensar na morte da bezerra
enquanto outros penteiam macacos
fazer tudo nas coxas
vender gato por lebre
sem abrir o jogo
sempre fazendo favores com o chapéu dos outros
e acham que é o negócio da china
que ninguém está vendo
lavando as mãos?
isso não tem pé e muito menos cabeça.
É bom arregaçarem novas mangas
dar o braço a torcer
e lavar a roupa suja.
Nem de longe é o fim do mundo
mas está muito perto o fim das mentiras
das negociatas, dos abusos,
das tramóias.
Nenhum ser humano decente
temente
se presta a essas canalhices.
Está na hora do basta.
De por mãos às obras.
Não se prestem mais a serem pau mandado
peões,
fantoches de falsas promessas.
Coloquem a boca no trombone,
metam o nariz onde não foram e nem serão chamados,
Sem bandeiras, mas com a cara e a coragem
munidos de moral, ética e caráter.
Não sabem o que é isso?
Não saciam a fome?
Pois, aprendam e se já sabem
comecem a agir. E rápido.
Se não quiserem levar tamanha dívida
ao juizo final.
Pois, muitos de nós, estarão sentados na primeira fileira,
olhos bem abertos e um longo dedo de justiça
apontando bem para a cara de cada um de vocês...
Piamente.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sazonal com soluços e catarata

Gosto de épocas


particularmente nocivas a quase todos:


natal, reveillon, carnaval,


semana santa,


21 de abril,


ano eleitoral.


Me divirto e me compadeço,


conforme a data específica.


No Brasil
( e em outras partes do Planeta)


só falta o dia do imbecil.


Tem dia para tudo,
até para o trabalho,


à mercê de uma tradição de piqueniques
e pancadaria.
Aliás, quase toda diversão hoje acaba
como caso de polícia.


Mas, não tem o dia do imbecil.


Todo político tem mania de Hitler


ou de Nero ou de Tut (Tutankhamon)


Gostam de obras faraônicas


ainda que elas sejam Maias


Romanas, Gregas , Incas, Astecas etc
Têm que ser gigantescas.
(algo falho no fálico de cada um?)
Consomem um custo proporcional
ao nosso desproporcional.
São idealizações tão grotescas
que o acinte monumental
não é visível aos olhos do raciocínio.
Vamos instituir o Dia do Imbecil.
Para não fugir à regra institucional,
aceito sugestões pagas.
Só não vale o dia primeiro de abril.





quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cisco no olho


A Humanidade

está descobrindo

da pior maneira

como é afetada

pela asa ninja da borboleta

A indigestão polar vulcânica da Islândia

fecha um compacto

bussolar Norte europeu

(dizem os espíritas que o que não vai por amor vai pela dor...)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Oh, leva eu....(um soprano, um mezzo soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos)


Meu pai ficava com o ouvido pregado no radio

a partir do Angelus e da Ave Maria

fumando continental sem filtro

quando já havia fechado a oficina

e enchia a casa o aroma de sopa

de tutano na cozinha
com macarrão furadinho

que minha mãe preparava ao entardecer

Final dos anos 50

início dos anos 60

Hora do Brasil

notícias, músicas, reclames

Uma nostalgia fininha

em som que chiava, falava ao longe

parecia sair de misteriosas

localidades planetárias

AM

válvulas

botões

antena

12 volts
ligado na tomada

ondas curtas
para alienígenas
seletor de faixas
capacitor meia lua
A TV era igual

com a diferença de ter imagem
ondas eletromagnéticas

chuviscadas
tubo neon

branco e preto

saída também das profundezas

planetárias

Ambos abriram

vozes magistrais

como as dos Cantores de Ébano,

Nilo Amaro

e Noriel Vilela.
Todos se foram sugados pelo turbilhão.

Sodade.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Dor na espinha dorsal, não na espiral

Não sei se estou apta a escarafunchar este assunto
mas, me coça as entranhas
me deixa sempre numa cadeira
não elétrica
mas, à beira de um choque existencial
desconfortável
como quem vai ao cinema, teatro,
calha de sentar-se atrás do maior da turma.
Vira a cabeça prum lado, pro outro e nada
não enxerga
só escuta.
Na lida, nas ruas, na vida,
sempre fui o incompatível ser
certo
Nenhuma honraria
mas aquele anônimo com nome e endereço
corretos
Não tiro a graça de ninguém
São como ventania
do inesperado.
Sem mitigar o caminho tormentoso de cada um
sempre me coloco
na questão:
cadê vocês quando estoura o rojão?
Em prece, oração, jejum, comunhão?
Bom,
creio que é a minha cara de ninhada de rua
que deve estar presente
nua
na sarjeta
crua.
Obrigada.