Fragmentos de uma existência inconformada, abduzida pelas letras e seus sentidos . Um periscópio sideral sob o manto encarnado.(by Lúcsia/ Lúxia e sempre José Riviti)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Oh, leva eu....(um soprano, um mezzo soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos)

Meu pai ficava com o ouvido pregado no radio
a partir do Angelus e da Ave Maria
fumando continental sem filtro
quando já havia fechado a oficina
e enchia a casa o aroma de sopa
de tutano na cozinha
com macarrão furadinho
que minha mãe preparava ao entardecer
Final dos anos 50
início dos anos 60
Hora do Brasil
notícias, músicas, reclames
Uma nostalgia fininha
em som que chiava, falava ao longe
parecia sair de misteriosas
localidades planetárias
AM
válvulas
botões
antena
12 volts
ligado na tomada
ondas curtas
para alienígenas
seletor de faixas
capacitor meia lua
A TV era igual
com a diferença de ter imagem
ondas eletromagnéticas
chuviscadas
tubo neon
branco e preto
saída também das profundezas
planetárias
Ambos abriram
vozes magistrais
como as dos Cantores de Ébano,
Nilo Amaro
e Noriel Vilela.
Todos se foram sugados pelo turbilhão.
Sodade.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Dor na espinha dorsal, não na espiral
Não sei se estou apta a escarafunchar este assunto
mas, me coça as entranhas
me deixa sempre numa cadeira
não elétrica
mas, à beira de um choque existencial
desconfortável
como quem vai ao cinema, teatro,
calha de sentar-se atrás do maior da turma.
Vira a cabeça prum lado, pro outro e nada
não enxerga
só escuta.
Na lida, nas ruas, na vida,
sempre fui o incompatível ser
certo
Nenhuma honraria
mas aquele anônimo com nome e endereço
corretos
Não tiro a graça de ninguém
São como ventania
do inesperado.
Sem mitigar o caminho tormentoso de cada um
sempre me coloco
na questão:
cadê vocês quando estoura o rojão?
Em prece, oração, jejum, comunhão?
Bom,
creio que é a minha cara de ninhada de rua
que deve estar presente
nua
na sarjeta
crua.
Obrigada.
jardim do alento
pode desabrochar e resplandecer
em novos fôlegos
usamos nossas próprias mãos
para a semeadura
do que parece frágil
e levanta-se aos nossos olhos
a exuberância da simplicidade
tudo aqui gosta de raios e chuva forte
ventos
sol
orvalho
até mesmo o que não plantamos
nasce
e chegam sempre visitantes
inesperados
pássaros, borboletas
que contribuem com mais e mais
renascimentos
fazem morada
ninhos
uma maternidade natural
sempre há o que se ver e degustar
carinhosamente
a delicadeza de um jardim
faz nosso coração
renovar-se
nossas forças íntimas
a vida está em plantação
como uma prece
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