domingo, 28 de março de 2010

paulistas de casa, dá-lhes


assim
simples assim
de cara
nem preciso dizer que o meu dialeto
completo
se parte em tiras
ao meio de si e de fato
diante de mais um legítimo
Fagiolo (com Schoqui)
sobrinho
na lista dos prediletos
pelo menos para mim
(Diego e Kele na Pizzaria Bella Dora, Jardim Irajá, Ribeirão Preto- SP-BR)

quinta-feira, 25 de março de 2010

meninos da gema às claras em samba rock (ou rock samba?) sambei...

esse pessoal é 'perigoso' demais
armado até a alma
com pandeiro
cavaquinho
rebolo
tan-tan
teclado
banjo
bateria
o grito de guerra na voz
que canta e se municia
de requebros em sons
assim como a rapaziada
nos instrumentos
com samba pesado
sacudindo um rock
enquanto o rock samba
a musicalidade
samba um rock
entendeu?
então, ouça e guarde
os nomes dos
guerreiros Sambô:
daniel san
sudu lisi
ricardo gama
sávio penha
júlio césar
max leandro
zé da paz
(ribeirãopretanos em estado de fusão em profusão)

terça-feira, 23 de março de 2010

nuvens sobre a cidade que me levam de casa em casa



vôo sobre a Pampulha


a bordo do ERJ 145 Passaredo


é manhã de nuvens brancas


as que polvilham um fim de março


e início de outono


asas leves que me levam


de casa para casa


vamos farejando e lambendo


obras históricas e suas curvas


suas cores


suas perspectivas


que abrem horizontes


cada vez mais longinquos


cada vez mais pertos.


Estão lá Niemeyer


Portinari


Burle Marx


Juscelino


São Francisco


Iemanjá


Sobrevôo meu próprio


acaso


percebo que o distanciamento


me aproxima


e vejo mais cada detalhe


ao longe


ao longo e


quanto mais me distancio


mais perto estou


Sobre nuvens


na poltrona C 11


a janela descortina


ninhos etéreos


despojados


lá atrás um aceno


ciao


um alô


tchau


se aproximam


canaviais


telhados


calor


saio do meu quintal tiradentino


do meu astral bhzontino


chego na minha sacada


buritizando


bem cedo


em Ribeirão Preto


de novo


em casa.

quarta-feira, 17 de março de 2010

grávidas de vós

lá vão elas


parecem protótipos


iguais às avós


mães saturadas


redondas


cheias de tudo


inclusive de nós


por que?
ainda despejam seus semelhantes
na terra
por que?


porque apanham


porque imitam


porque não têm o que fazer


porque são meras reprodutoras


porque enganam seus reproduzidos


que concepção!


da decepção


empurram seus umbigos
salientes


calçada e rua


afora
espetam filas de banco, ônibus, restauranre
de quebra carregam o pai
com dimensão de toucinho igual

dialeto do teu murmúrio inquietante

vem do mar africano
teu perfume
de banzo

daqui posso ver o brilho negro dos teus olhos

claros
geográficos
cintilando

na proa da noite

em pleno oceano


em seu horizonte descravizado


ondas sobre ondas


escrevem tuas palavras sem amarras


até a praia


como espuma de sândalo
e lavanda


que a lua nova espia