terça-feira, 10 de novembro de 2009

aos humanos de plantão

em algumas regiões do mundo
neva para um prenúncio de natal
aqui chove
e é um aguaceiro com luz
diferente
refresca, rega, lava a tarde,
levanta a noite
para mim o anúncio de novembro
com esta chuva já é dezembro
sinto o cheiro no ar
das energias de final de ano
sei que milhares
já estão com as mão ocupadas
para suprirem o tormento
pungente
dos que, aos milhões,
nem sequer se dão
ao prazer, simbólico ou não,
deste aniversário ocidental,
oriental,
de um ciclo que se fecha e se abre
sem a mínima noção
gosto, sim, de finais
que traduzem transição, passagem,
milhagem,
revigoração,
outras portas se abrem
ao gosto sim e não
ao verbo
à linguagem
à bobagem
à miragem
Natal sou eu
como diz Canova
em aniversários
nascemos, comemoramos,
rendemos,
estragamos com agrados
um prato do dia,
à mercê de banana
com melancia,
adicionando um cardápio diferenciado
champagne, fogos, castanhas
figos, mexilhões
folclórico
arroz, peixe, farofa crocante,
sinos, música,
vida nova
celebrada
com uma paridade
desigualada
à regência do sacrifício
à alegria do tocante
compartilhar
de cada um
somos
então
o plantão
de humanidade

domingo, 8 de novembro de 2009

não somos árvores,apenas pluriformances


e ainda assim


fincamos pé


não arredamos


do osso


sedimentamos


planos e sonhos


com areia, cimento


cal


alimentamos raizes


com pneus, motor


gasolina


elásticos



'voamos'



não saimos de onde estamos


presos



aos ferros das tarefas



movimentamos


à edificação do esmo


habitamos


em peso


temos até


marcha à ré


imaginamos


que nosso ser é o tal












quarta-feira, 4 de novembro de 2009

oito minutos e 18 segundos para cozinhar sua pobre matéria humana


que brilho intenso...



dá cor aos branquelos



realça a tez pálida


derrama toneladas de


raios



como bálsamo ácido



embaça retinas




sem a proteção




aos raios UVA e UVB




tem um sopro de vulcão



para tirar ciscos da atmosfera



revigora a energia



dos seres


murchando-os



ou torrando-os


conforme o humor


do dia



acorda o que adormece



em todas as formas


capaz de derreter


miolos


e são esses


que dizem


que as emanações


cotidianas


de seu poder


estão em perfeito


acordo com


as estações...



















terça-feira, 3 de novembro de 2009

Aos borbotões de ventos

Joga-me fora de dentro
do teu colo
ainda que me desfaça
ao tatear
tua couraça
- nada de estanho
ouro
cobre
prata -
és um reles
cristal perfeito
translúcido
danças
dependurada
com os cotovelos
na sacada
o vento
levanta
e assovia
tua regata
nada recatada
pensas?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os cara-de-peia

Silvícolas, selvagens



rudimentares,





parecem canga de muares



não são



cafusos, mamelucos,



caboclos,



feitos de



fibras de aniagem



estopa humana



choupana,



roça



seca



cacto



calangos



candangos



mulambos



resistem à estiagem



crescem



no barro com cuspe



sangue



no mangue











Antena de TV em UHF






na ponta um pedaço de bombril






goteira no telhado






nos trapinhos de retalho,






nasce mais um desbatizado,






cuspido na bobeira






ah, estão por toda a parte




à esmo,




chabu de fogo cruzado,




expulsos da placenta de matilha



herança da monarquia



frutos podres da república,



também crescem,



se vingam



matreiros da cilada,



emboscada,




gostam de tecos em nucas,




têm graves problemas com o olho a olho,




transitam em mulas




e outros lombos




no círculo quadrado,





com documentos falsos,




gravatas de cadafalsos,




penduricalhos de espelho de carro velho,




ignorantes, atrasados,




covardes demais




para serem homens-bomba,




preferem