sábado, 19 de setembro de 2009

Portal de Serventia para a Criatura em Criação

Me serve a tua revolução
teu esgar de roldão
teu manejar no supetão
teu enveredar em expansão
Me serve a tua dedicação
teu reparar em tração
teu fisgar no beirão
teu chão teu chão teu chão
Me serve teu sensor de colisão
teu alvoroçar na contramão
teu rumo em direção
tua gana pela comunhão
tua consumação
Me serve teu batismo de danação
teu lastro porque de afasto não vou não
tua escuridão porque tua luz não tem apagão
teu perdão teu perdão teu perdão
Me serve tua revelia de montão
teu grito de aviso escrito no paredão
teu sorriso ensanguentado na paixão
tua esquina de encontrão
tua dimensão
Me serve, sim, tua servidão
tua queda de braço com o tinhão
sem escravidão
tua intensa libertação
ação, ação, ação.
(alferes/ 18/09/009 MG)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

'M' Dormida 11/09/009 Tiradentes MG BR (Bússola etérea)


Minha pedra solta
caminha feito bicho
rosna à noite
anda de pé descalço
tem saliva de vinho
chocolate e café
no pescoço, um laço
de lingote
dourado
como jóia rara -
solta pelas ventas
incenso -
varre a casa
com alecrim do mato

o sono vem com gosto
de tomate
oliva
tabaco
pimenta
em ninho feito
com sombra de árvore
feixe de sementes de ipê
areia de minérios
folhas de imbé
funcho
beijinhos
e
taquara


'Lero' já com sotaque de encantamento



Bem cedinho
Naquela horinha
Que nem o galo tem coragem
De espiar
Acordo
A brisa fria
Já está lá
Soprando as sombras e
O sono
Um jeito simples de espreguiçar
Um tantinho depois
Quando a passarada sacode
As asas
O galo dá de cantar
Aí é que começa
A pressa de acordar
Para a boniteza
Do lugar
De repente,
Lá vem o tucano
E seus pares
- Bicos de quebra-quebra
Alaranjados
Exibidos
São aves de se engraçar
Assim como outras
Que estão no habitar

(Tiradentes – MG 17h55 15/09/009)

Donzela do tempo com decote de adobe



Manhã de
Água
Pedra
E vento
Cheia de pose
Cochicha
Seus agrados
No ouvido da serra
Dá cheiro
De capim
Ao pouso
Do bando Maracanã
Capricha
No desfiado
De plantas
Cheias de floreado
Enquanto
Espera
O ardor ensolarado
Da tarde
Com fricote
De tecelã
Quando vem a noite
Enterra
Seu rebolado
frisante
Com recato
De anciã

(15/09/009 15h28 Tiradentes MG)








segunda-feira, 14 de setembro de 2009

pedras de aterramento tiradentino

me fale de pedras
como me falam as pedras
de mão, de terra
de chão
de mato
pasto
sombreadão
pedras de ruas estreitas
encorcorvadas
caminhos tortinhos
beiradas com flor
pedras salgadas
de cerca
plantação
arvoredo
pedras de coração
carreadoras de fardos
escravos
sustentadoras de asas
escorregadias
sustentam correrias
de sabão
dobram esquinas
erguem sonhos
palmilham histórias
pedras doces
porosas
compactas
pedras que roçam fundo de rios
pedras de cor
sem a exata medida
exata
pedra que aninha velas
rabisca abecedário
levanta pé direito
brota em lagoa
santa
tem serventia pra costado
debruça em cachoeira
alicerça a minha natureza