sábado, 5 de setembro de 2009

Ao diamante licorizado Badalona


Tive um amigo

andaluz


escorpiano como eu


de Málaga


em uma São Paulo


de 1976


- Antonio


Universitário


na época


frequentava barzinho


regado à cerveja


com steinhaeger


violão


cigarro


apoteoses em cinema


Numa tarde de sábado


me presenteou com um anis


e figos da índia -


como ficou leve


a minha cruz....

Doces e meliferas ferroadas de mamangava

Uma anã gigante
com couraça
de veludo negro e cobre
tem zunir perturbador
voando de flor em flor
amarela
seu ferrão é uma ginsu
curvada
como um gancho
que brilha afiadamente
solitária espécie
que voa
sem o pressupor do voo
com asas tenuamente

Fusca V D O


Aprendi a dirigir aos 10 anos

Eram camionetes Ford

Meu pai nos levava às fazendas

eu , minhas duas irmãs e irmão

adorava os caminhos

de terra,

estreitos,

ilhas

de capim

ladeados

por touceiras de brachiaria

mourões e arames farpados

Imponentes o eucalipal

o cafezal

o curral

o canavial

Pasto

pedra

riacho

asfalto

vale

montanha

Quatro anos depois

eu me divertia em fuscas

1300:

cavalo de pau

velas zunindo

banco de trás

o 'puta merda'

câmbio bola

radio AM/FM

Mundial 860

noturna

O precursor DJ Big Boy

Na banguela

VDO

só faltava arrebitar

o tobogã

da meia-noite

e a moleira dos nativos

Sem aditivos,

o carro

e os ocupantes

Ficar in vitro

era ingerir

a loirona queimada

Brahma

sanduba de rodoviária

marcha-ré

contrária.






sexta-feira, 4 de setembro de 2009

de vez em quando, para sempre, como o mar lavra o arrecife, como o arrecife rasga o mar

às vezes, corto-me em tirinhas
outras, desfio fiapos de mim
em poucas, escorro-me pelas sarjetas
quase , quebro-me em caquinos
sempre colo uns pedacinhos
no interim
como estilhaços -
bagaços
ameaços -
nuns espacinhos
de
trajetos
mobiliados
de setinhas
estiradas
em
espiraiszinhas
infimas
intimas
com a destreza
em curva
de um espadachim

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um piscar em Brilho Neon

Qual é a fonte da piedade,
alguem sabe me dizer?
e do ódio...
da amargura...
da fome...
da cretinice?
Ao mencionarem o bom
há um constante alcunhado:
de beocio, de ingenuo,
candido, desavisado,
amador, tolo
Como se não cabesse
em nós o estado bruto
Sinuezas da espécie
in natura e seus
hipoteticos
assim como dialeticos
adereços
de carater intrinseco.
Ao mal juntam-se o genial
o astuto
o fenomenal
a inteligencia
diabolica.
Presumo que o bem seja
bem estupido.
Compreendeu?
Faça-me um favor
alias, compro-o,
dê-me migalhas de pão
em neon
para que encontre o caminho
de casa.
Não vomite no meu
estilo
Vá babar no colo
do seu dono.
Já pisquei uns
segundos de cérebro
e senti a lua uivar