sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Humanaves x humanadas

Zona sul em Ribeirão Preto

SP/BR

camisetas de grife

estampam mensagens

quaisquer

Do alto ao térreo

tênis luminosos

e suas plataformas de decolagem

para a largada do rebanho:

moradores em bando dissimulado

andam do mesmo jeito apressado,

correm pelas avenidas

para ganhar do colesterol, impotência,

gordura localizada, depressão.

Em suma, infelicidade e fracasso.

Mesmo aqueles 'em alta,

vão atrás da 'saúde do milênio 21'

gordos, magros, assustados,

nem sabem o que fazer

Correr, correr, correr,

na moda de viver

Lá em casa,

fazemos o sofá em dueto com o cachorro

água gelada, vinho

café, canela, chocolate amargo

devagar

caminhamos,sim, por aí,

frequentamos becos e buracos,

fronteiras, altos e baixos,

humm...and so?

abrimos janelas

às vezes, a porta

e deixamos o perfume de auras

rondar corredores (outros)

Ligamos a TV a cabo

acendemos o cigarro (e incensos)

- são perfumados

Baforamos a semana

que não nos mete medo

Na cozinha-sala, um variado

cardápio molecular de idéias

Vasos plantados

na sacada

a postos como livros

- cultivados e apreendidos

Já é calor de novo.

Sexta-feira,

a noite cresce

Urbanos noturnos

migram para bares, botecos, balada

outros babados

Voltam sem rumo

bêbados, chapados

mamados, cheirados

Chegam, sim, a algum lugar

Sei lá

Ah, e os óculos escuros?!...

Cada vez maiores

até mesmo à noite.

Não se escondem, apenas impossibilitam que vejam

a si mesmos. Óbvio e daí?

E continua assim a famosa Zona Sul

ilhada nos muros , em oásis de areia concreta

ladeada de palmeiras oníricas

como as suites

Lá fora , um éden fictício:

jardins sem bancos...





































quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Olha lá os 'infantoches' da submissão

Por certo,

pensas que teu camisolão branco

não mostra a sombra do teu corpo

manchado do sangue inocente

e que tuas sandálias rústicas

passam desapercebidas

pelas vielas milenares

e não deixam rastros

singulares

como os das serpentes

nas areias.

Por certo, crês que o mal

está do outro lado

da muralha

e esta o torna indefeso,

a mesma que esconde

a tua verdade

de ti mesmo.

Do outro lado

lá está emoldurado

o equívoco

a visão distorcida

se não aquela que sai de dentro

do teu coração

se não o próprio reflexo do teu medo

num espelho caleidoscópico

De fato, acreditas numa escuridão

ocidental

à espreita do teu sol

quando o primitivo ainda

habita o sombrio

beiral da tua mente

quase infantil


Por que fechas as janelas

da tua morada

se te cobres

da cabeça ao chão

com o véu negro

de quem não concebe

o perdão e

tens nos dedos

o riste incendiário

da vingança?

Qual criança.

Cala com tua face de obediência letal

a presença da mãe luz

aquela que pode acender

até o mais ínfimo esconderijo


e

volta as costas

ao estender da outra

mão

Mesmo a noite tem seus olhos

brilhantes

e o dia traz a chama

da constante revelação.

Por que lerdas

em teu espírito a

libertação?






aquarela brasilis inzoneira

O mineiro Ary Barroso
criou há 70 anos
um Brasil em aquarela
e música
todo inzoneiro

A surpreendente grandeza do pequeno


20 segundos para um

fulminante ataque a gol

logo no início da partida:

coisa de 'abelha' do interior

paulista

Entre os maiores times

da série A nacional

aponta-se o pequeno

valente

Barueri.

Agremiação que não enche

a boca gritante

do narrador de grande mídia

porque este torce

escandalosamente para

a equipe da massa

que tem o lipoaspirado

titular na arquibancada

com renda fenomenal.

Fenômeno, mesmo,

é o Val baiano,

artilheiro do campeonato,

quase anônimo,

ensombreado por um gol

de longe e veloz,

desses que muitos fazem

em qualquer peleja,

mas rende, dá audiência

com o indulto da benevolência

contra o seu exímio faro de goleador.

liga,não, 'abelha',

vai zunindo aí...
(Barueri 2 - um terceiro gol anulado...x Corinthians 2)


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Latitude canina: 'Greta Garbo' - Gueguê

Cachorro louco:
Por carinho

por dengo

por comida

por afago

passeio

grama

agrado

quintal

calçada

portão

Por cheiro de mato

cheiro de planta

de flor

água

travesseiro

sofá

chinelo

papel

fuçar

cheirar

escavar

latir

Espreguiçar

dormir

Sacudir

e abanar o rabo

- se feliz

ou acabrunhado.

Cismar.

Correr.

Perseguir.

Voltar.

Rolar.

Por música

carro

conversa tranquila.

Por ladeira

chuva

sol

sono

arruaceira

e

companhia.

Vigia.

E tudo de novo

com a maior valentia

do afeto.
Cuidado se não houver o faro de ambos os lados:

prenda o 'dono' na coleira.