quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Olha lá os 'infantoches' da submissão

Por certo,

pensas que teu camisolão branco

não mostra a sombra do teu corpo

manchado do sangue inocente

e que tuas sandálias rústicas

passam desapercebidas

pelas vielas milenares

e não deixam rastros

singulares

como os das serpentes

nas areias.

Por certo, crês que o mal

está do outro lado

da muralha

e esta o torna indefeso,

a mesma que esconde

a tua verdade

de ti mesmo.

Do outro lado

lá está emoldurado

o equívoco

a visão distorcida

se não aquela que sai de dentro

do teu coração

se não o próprio reflexo do teu medo

num espelho caleidoscópico

De fato, acreditas numa escuridão

ocidental

à espreita do teu sol

quando o primitivo ainda

habita o sombrio

beiral da tua mente

quase infantil


Por que fechas as janelas

da tua morada

se te cobres

da cabeça ao chão

com o véu negro

de quem não concebe

o perdão e

tens nos dedos

o riste incendiário

da vingança?

Qual criança.

Cala com tua face de obediência letal

a presença da mãe luz

aquela que pode acender

até o mais ínfimo esconderijo


e

volta as costas

ao estender da outra

mão

Mesmo a noite tem seus olhos

brilhantes

e o dia traz a chama

da constante revelação.

Por que lerdas

em teu espírito a

libertação?






aquarela brasilis inzoneira

O mineiro Ary Barroso
criou há 70 anos
um Brasil em aquarela
e música
todo inzoneiro

A surpreendente grandeza do pequeno


20 segundos para um

fulminante ataque a gol

logo no início da partida:

coisa de 'abelha' do interior

paulista

Entre os maiores times

da série A nacional

aponta-se o pequeno

valente

Barueri.

Agremiação que não enche

a boca gritante

do narrador de grande mídia

porque este torce

escandalosamente para

a equipe da massa

que tem o lipoaspirado

titular na arquibancada

com renda fenomenal.

Fenômeno, mesmo,

é o Val baiano,

artilheiro do campeonato,

quase anônimo,

ensombreado por um gol

de longe e veloz,

desses que muitos fazem

em qualquer peleja,

mas rende, dá audiência

com o indulto da benevolência

contra o seu exímio faro de goleador.

liga,não, 'abelha',

vai zunindo aí...
(Barueri 2 - um terceiro gol anulado...x Corinthians 2)


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Latitude canina: 'Greta Garbo' - Gueguê

Cachorro louco:
Por carinho

por dengo

por comida

por afago

passeio

grama

agrado

quintal

calçada

portão

Por cheiro de mato

cheiro de planta

de flor

água

travesseiro

sofá

chinelo

papel

fuçar

cheirar

escavar

latir

Espreguiçar

dormir

Sacudir

e abanar o rabo

- se feliz

ou acabrunhado.

Cismar.

Correr.

Perseguir.

Voltar.

Rolar.

Por música

carro

conversa tranquila.

Por ladeira

chuva

sol

sono

arruaceira

e

companhia.

Vigia.

E tudo de novo

com a maior valentia

do afeto.
Cuidado se não houver o faro de ambos os lados:

prenda o 'dono' na coleira.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Augustas, Etelvinas,Eufrosinas, Genoefas, Oilitas

Avós
primeiras
derradeiras
italianas
portuguesas
mistureiras
de agulha nas mãos,
algodão, linho, chita,
folhas de parreira
com seus parcos
retalhos,
tesoura,
como tesouros
para cama, banho, cozinha
missa
mercado
açougue
padroeiras
garfo, faca, colher
dedos
de terço, medalha,
santo,
vela,
avós-novena
-conselhos
guardados
na prateleira

Avós
de exatidão,
enxadão,
roçado, horta,
mutirão,
antúrios,
vassoura
pano molhado
pia, sabão
fogão
parto
abortalhos
medos
avental
pés no chão


Rica e pobres
benzidas
benditas
arteiras,
benzedeiras
bordadeiras
rendeiras
parteiras
avós
primeiras
derradeiras
pioneiras
(texto abstraido de um futuro livro-diário no prelo pessoal, individual e intransferível)