quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Latitude canina: 'Greta Garbo' - Gueguê

Cachorro louco:
Por carinho

por dengo

por comida

por afago

passeio

grama

agrado

quintal

calçada

portão

Por cheiro de mato

cheiro de planta

de flor

água

travesseiro

sofá

chinelo

papel

fuçar

cheirar

escavar

latir

Espreguiçar

dormir

Sacudir

e abanar o rabo

- se feliz

ou acabrunhado.

Cismar.

Correr.

Perseguir.

Voltar.

Rolar.

Por música

carro

conversa tranquila.

Por ladeira

chuva

sol

sono

arruaceira

e

companhia.

Vigia.

E tudo de novo

com a maior valentia

do afeto.
Cuidado se não houver o faro de ambos os lados:

prenda o 'dono' na coleira.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Augustas, Etelvinas,Eufrosinas, Genoefas, Oilitas

Avós
primeiras
derradeiras
italianas
portuguesas
mistureiras
de agulha nas mãos,
algodão, linho, chita,
folhas de parreira
com seus parcos
retalhos,
tesoura,
como tesouros
para cama, banho, cozinha
missa
mercado
açougue
padroeiras
garfo, faca, colher
dedos
de terço, medalha,
santo,
vela,
avós-novena
-conselhos
guardados
na prateleira

Avós
de exatidão,
enxadão,
roçado, horta,
mutirão,
antúrios,
vassoura
pano molhado
pia, sabão
fogão
parto
abortalhos
medos
avental
pés no chão


Rica e pobres
benzidas
benditas
arteiras,
benzedeiras
bordadeiras
rendeiras
parteiras
avós
primeiras
derradeiras
pioneiras
(texto abstraido de um futuro livro-diário no prelo pessoal, individual e intransferível)





Piove un Agosto di veneta


Aqui em Ribeirão Preto

em pleno Agosto

sete anos depois

sete dias de frio

e chuva

Parece que o mês

quer por chifres

em equinos

caraminholas no registro

do clima

carimbar o rosto

esotérico

formigar a grama

seca

desmentir a paisagem de inverno

que acorda em primavera temporã.

Lá estão elas

grossas e emburradas

as nuvens plúmbeas.

mas, com jeitinho

se vê o exuberante

olhar noturno....


domingo, 23 de agosto de 2009

arames farpados elásticos

Não sou teu colo


e nem tu és o meu encosto


não passo a mão na tua cabeça


assim como não me passas a perna


não ofereço meu ombro


e tu não me apunhalas pelas costas


não ofereço a outra face


e ,tu, não me apontes o dedo!


não cedo a minha vez


e tu não furas fila


quero o troco em centavos


não me ofereças balas e chicletes


não seguro a porta do elevador


e tu não me jogas pelas escadas


não somos nada demais- e isso


nos aproxima.


Cada vez mais perto


um hálito matinal
nos distancia.


Não esperes nada de mim


e eu nem um pouco de ti.






















sem bridão de frenagem








patina

lâmina obesa de fogo

A vida é também uma contínua troca de rolo de papel higiênico
parece banal
usual
no piloto automático
(pensamento filosófico momentâneo do Papagaio Testamenteiro, Bico de Alicate)

mas, olhe Atenas
devorada pelas chamas
incandescentes
Arde na alma
visceralmente
Onde estão os gregos?
Todos são deuses?
A pira estala
vorazmente consome.
Ah, lá vai o homem
culpar, de novo,
de novo não!!!:
a tramóia térmica
do universo de Copérnico.
Por Zeus,
Grécia,
cadê os teus?
Viraram carvão...