sábado, 4 de julho de 2009

mundo, mundo, mundo, imundo, demos de cara no beco sem saída com fila de espera

por sorte
estava ali
aquele naco
de espaço
que
necessariamente
não era a melhor parte
mas, era
certamente
um vislumbre
de porta
como fruta verde
no pé
como uma mentira
lavada
que soa
uma meia-verdade
meio
c'est fini
a tragédia
lida
não vivida

assim,
a notícia do dia
vai
aleatoriamente
sem ser
investigada
conferida

ora, não torça o nariz
eu
- e você? -
nada mais que um mero aprendiz

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Silêncio

às vezes,


uma voz contundente


se cala


de repente


esvai-se sua harmonia


sua poesia


sua musicalidade
sua verdade
sua força
inegabilidade
ainda ao reverberar


seu impassível silêncio


ressoa
em luzes
pela impassível
eternidade

quinta-feira, 2 de julho de 2009

água roxa

Ribeirão Preto


desemboca aqui


sob o canto


madrugador do


bem te vi


sua ribeiragem
reluz em anel


de verde canavial


a margem rubra
arde em álcool


açucar
sedimenta
de vez
o café mogiano
a via férrea


e boiadeira
derrama-se
em estouro
sobre


o aquifero


Guarani








quarta-feira, 1 de julho de 2009

adoro precedentes, principalmente na política

Tento conter o riso
depois da lágrima
que desenha o ricto
da dor que lava
a face
ora, que disfarce
do impasse
não há nada de novo
e, sim, novo.
Mesmo nas lonjuras,
me admiro com a reação do
povo do Irã e de Honduras.
Desmascaram a falsa democracia
sem a mínima hipocrisia.

terça-feira, 30 de junho de 2009

meio da noite ribeirãopretano

Minha vigília
pontilha
um berço
delicado
cheio de pespontos
alinhavado
que levo
aos tragos
É a Cervejaria Colorado.