sexta-feira, 3 de julho de 2009

Silêncio

às vezes,


uma voz contundente


se cala


de repente


esvai-se sua harmonia


sua poesia


sua musicalidade
sua verdade
sua força
inegabilidade
ainda ao reverberar


seu impassível silêncio


ressoa
em luzes
pela impassível
eternidade

quinta-feira, 2 de julho de 2009

água roxa

Ribeirão Preto


desemboca aqui


sob o canto


madrugador do


bem te vi


sua ribeiragem
reluz em anel


de verde canavial


a margem rubra
arde em álcool


açucar
sedimenta
de vez
o café mogiano
a via férrea


e boiadeira
derrama-se
em estouro
sobre


o aquifero


Guarani








quarta-feira, 1 de julho de 2009

adoro precedentes, principalmente na política

Tento conter o riso
depois da lágrima
que desenha o ricto
da dor que lava
a face
ora, que disfarce
do impasse
não há nada de novo
e, sim, novo.
Mesmo nas lonjuras,
me admiro com a reação do
povo do Irã e de Honduras.
Desmascaram a falsa democracia
sem a mínima hipocrisia.

terça-feira, 30 de junho de 2009

meio da noite ribeirãopretano

Minha vigília
pontilha
um berço
delicado
cheio de pespontos
alinhavado
que levo
aos tragos
É a Cervejaria Colorado.

mon ami

Hoje, vesti a blusa e vi que estava do avesso
assim, como ontem, você relutava entre
um cachecol de seda ou cachá
escorregando os dedos pelo corrimão da escada
um bocejo educado
depois, um tchau solto languidamente
ao sono.
O abajour aceso
a toalha de banho sobre o sofá
a lâmpada do corredor queimada
Hannah Arendt na estante
Jorge Luis Borges na cômoda
Bob Dylan no Gradiente.
Na cozinha, engradado de cerveja
pasteiszinhos, ovo estalado, pão, chá
TV falando sozinha.
Noite em branco e preto.