
Há de chegar
afiado
feito pio da coruja
arrepiado
gemido ultrassonico
bemvindouro
de lambuja:
Atenado
embrionico,
o vento
de ventos.
Desenha
na áspera
musculatura
do Planeta,
como
uma caneta
garatuja,
a sua assinatura
Quem souber
acalentar,
dobre-os
em catas,
pegue-os,
como
borboletas,
liberte-os.
Espiar ou expiar,
deixe-os
ao momento.
Solte-os
ao vento.
atrás daquele muro
existe o mundo
ao pé da roseira
flores de sangue
escuro
coagulado
a autopsia da periferia
é só agonia
néctar de letargia
movimento
violento
virulento
O nome dela é Neda
Como foram as Marias
pintadas de guerra
'santa'
ao batismo de sangue
de fé
de fome
de mulher
de causa
e efeito
com a inocência
que é própria
do ser
ainda
humano
Quem vai brindar
em transe
ao
batismo
contínuo
da barbárie?

A que postais
o infinito
ungido
pela palma
humana
em ambas
convertido
se compostais
de parcas
preces
as vestes
que estais
vestido
em alma?
viu? quase nem eu...
nem chegou a encostar
apenas um cisco
no olho
o ectoplasma
está intacto
esses meteoros
correndo desse jeito
ateu
onde irão parar?