sexta-feira, 19 de junho de 2009

1953: eus de mim em parto

anônima desarmonia
em perfeito estado
- latente,
sob tempestade-
a via escorregadia.
nada de choros de alarde,
só grudada
na patente
de arisca
familiaridade.
Anzóis
de raios
fisgaram
a réstia
de
gente.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

sangue estelar

Minha nona Genoefa
meu nono Rômulo
meu avô João
minha avó Etelvina
Itália e Líbano
Badras, Felippes, Giulianos, Fagiolos
Não sei bem contar
essas histórias
manuscritas com células
sobre o oceano
Atlântico
Olho o céu.
Olho o céu
e olho o céu.

terça-feira, 16 de junho de 2009

escarafuncho

Reviro-me
rebusco-me
fuço
nas gavetas
nos armários
dentro dos sapatos
meias
soutiens
nos fundos
de molduras
encaro-me
em porões
sótãos
mezzaninos
nichos
rabiscos
no moleskine,
sensual,
rememoro o casual
devoto e familiar,
bestial
com
cinta-liga
baton-rouge
itinerários
de rupturas.
Enfio o nariz
nas rachaduras
fissuras
tocas
frestas.
Folheio-me
em
álbum de fotografias
diários ginasiais.
De vista,
banheiro público
murais
Arranho-me
em cercas
sarjetas,
pulo quintais.
Toco de cigarro,
ampola branca
jaz nos idiotas
mortais,
agulha,
seringa,
garrafas,
latinhas,
carnavais,
bebês sem pais,
vitral púbico,
paro em sinais.
Sei, só eu respeito a lei
e os demais?
Gente:
cadê o meu Planeta?

sem erros capitais

Não há mais
espaço e tempo
no Planeta
para o eu ou você.
Agora, sem demora,
somos eu e você.

conjugo-me em asas

sob nuvens rasas
soltar as amarras


desatar os nós


lançar o lastro


desencilhar
inflar o vôo
com rédeas largas
ao navegar
em pleno ar
soo