segunda-feira, 25 de maio de 2009

D'angelo

Singelo


o anjo

com o qual
sem o mínimo cerimonial
me arranjo


Página-cabeção




Tomara

que a vida

c

a

i

a

na sua cabeça
toda

prosa

e

verso

Auto-retrato de pronomes próprios feito à mão

caneta naquim
lápis de cor
grafite de muro
gibi
foto em branco e preto
pá de cal
encruzilhada
de esconjuro
café amargo
passado no coador
de pano
livre-arbítrio
artesanal
coração amador
uníssona em mim mesma
sem clareza
de meus eus
alma impessoal
com a sagrada religiosidade
dos ateus
leio-me no que não li
ao me enganar me dano
ao me danar engano
convicta casual
de impropérios à êsmo
calendário de equívocos
um nu exposto ao avesso

sábado, 23 de maio de 2009

vísceras cerebrais em caimbras documentais /maio 2009

Me ocorreu, agora, em solo brasileiro:
sem cair na cabeceira do campo de pouso.
Cadê o travesseiro?
Repouso .
Piloto. Arrume o prumo.
Tampe a garrafa.
Você, energúmeno.
Acenda a vela de criado-mudo.
Pois, sussurro:
...que isso não sirva de exemplo para outros aliens...
Sou dissidente de Capella.
Dicto presto:
Queimem todas as casas do MS

para que a natureza permaneça,
ilesa,
curativada,
acesa,
VIVA! E VERDE!
Vão assar porco e gado no roleta-russa....
Serve à Sibéria,
ou ao RS.
Lo mismo, para a Amazônia.
Queimem todas as barracas e moquifos, cafofos,
favelas depauperadas
sobre o rio.
Esqueçam o peixe pescado em vara
e abundem nos
carrinhos de lanche
hot-dog, salgadinhos,
lombo de boi,
farinha e farofa,
sifu.
Arranquem obturações de ouro,
da boca, já sem dentes,
desses insurgentes de dna fumbecado,
óculos ray-ban,
piercings, cós-baixo, cds sertanejos,
aqueles calções de copa do mundo de várzea,
que os aborígenes 'locais'
usam para se cobrir cafonamente
enquanto comem macacos, papagaios, tartarugas
ai, são gente...
Queimem
Canoas, sapés, cipós:
Pneus, garrafas pets, tvs
aparelhos de informática,
mapas-mundii,
relógios analógicos,
digitais, estrangeiros, não os estrangeiros:
língua trololó...
- arranquem do planeta
descendentes de darwin,
please!!!!
Sem a santa paciência.
De passagem, os rituais que não dão em nada,
em nome da ciência.


sexta-feira, 22 de maio de 2009

manhã overloque


Carpir esquadrias,

roçar pneumáticos,

arar cerebelos.

São requisitos básicos para plantar e colher ruínas:

é preciso semear, aguar, cuidar, crescer junto com os seres medievais.

Agora, colher livros, idéias, receitas, canteiros, sombra, luz, música, pimenta, suor e saliva.

Adube a vida

edifique a língua de flores, sabores, cores.