Somos uma família viral
veneno que se nutre do próprio antídoto
já sem efeito a não ser os digitais
espécie insustentável
contraida
pela percepção equivocada
ilusória e iludida
nada vital
simplesmente
mortal.
Fragmentos de uma existência inconformada, abduzida pelas letras e seus sentidos . Um periscópio sideral sob o manto encarnado.(by Lúcsia/ Lúxia e sempre José Riviti)
terça-feira, 12 de maio de 2009
depurações outonais, de praxe...

até mesmo as pedras se movimentam
as árvores sacodem seus galhos para desnudarem-se das folhas secas
os rios em cheias revolvem-se e desmolham-se do lodo e entulhos
os ventos espanam a poeira e os ciscos
os pássaros deixam velhas penas e revigoram a muda
o outono é a silenciosa transmutação
depura a natureza, de que espécie for
adormece e resfria sua lida
sua poda necessária e natural
calmo, imperiosamente,
afaga o desembestado novo
invernal, hiberne
todos deveríamos humanos
ter o mesmo movimento, em nós
como o dia e a noite
como o beabá
podemos habitar torres e porões
revisitar o passado
exorcizar fantasmas
não alimentá-los.
A folha será sempre a quota da natureza.
O ser humano é o verme que o come, devora, devolve-o
à sua cama
de terra e pó.
sábado, 9 de maio de 2009
Dragonas-mãe

Ao suspirarmos
alastramos o germe da incupideza;
ao tossirmos,
lançamos no ar
o vírus de indelicadeza.
Ao mirarmos o horizonte,
desvestimos o decote
da natureza.
Mexendo as ancas,
desbancamos a subréptil
dureza.
Nossas lágrimas
derretem o grifo tatuado da
safadeza.
alastramos o germe da incupideza;
ao tossirmos,
lançamos no ar
o vírus de indelicadeza.
Ao mirarmos o horizonte,
desvestimos o decote
da natureza.
Mexendo as ancas,
desbancamos a subréptil
dureza.
Nossas lágrimas
derretem o grifo tatuado da
safadeza.
Choramos em labaredas....
Basta piscarmos os cílios,
nuas se tornam as cruezas.
Um gemido gutural
aciona estranhezas da terra.
Mas, com unhas de aço,
poderosas, como argolas,
arranhamos de leve
a carne humana, da qual
jorra toda a estupideza.
Não comprem panelas,
processadores.
perfumes,
flores,
camisolas,
geladeiras,
fogões,
esmaltes,
viagens.
Nem jantares e velas.
Basta seu tropeço
de bípede,
a súbita
noção de toda a sua
pequeneza...
Basta piscarmos os cílios,
nuas se tornam as cruezas.
Um gemido gutural
aciona estranhezas da terra.
Mas, com unhas de aço,
poderosas, como argolas,
arranhamos de leve
a carne humana, da qual
jorra toda a estupideza.
Não comprem panelas,
processadores.
perfumes,
flores,
camisolas,
geladeiras,
fogões,
esmaltes,
viagens.
Nem jantares e velas.
Basta seu tropeço
de bípede,
a súbita
noção de toda a sua
pequeneza...
Unge toda nossa
fronte realeza.....
Esmague e triture a sua idéia de gente...
Quero abobrinhas
salsa
cebolinha
quero alface lisa
brócolis
hortelã
erva-cidreira
pimenta brava
de arder,
vermelhas, verdes,
as de ver e as de comer, aliás,
são todas
verdadeiras.
Almeirão,
tomate de montão,
rasteiro, de pé.
Como chuchu.
Louro,
abóbora,
laranja,
limão-cavalo.
Jabuticaba,romã,
mamão,
bananas
em cacho,
espremer,esmagar,
cuspir sementes, como pássaros.
Beber, solver,
como borboletas.
Flores
aos borbotões,
botões,
cajus,
maracujás.
Mangas.
Uvas-vinho.
Abelhas,
centenas, milhares,
milhões, milho.
Plantares.
Fubá.
Mandioca.
Ah, o principal:
ouvir e conversar, nessa língua faminta,
assim.
Capinzal.
Aranhas, bigatos,
minhocas,
lagartas,
lagartos,
calangos.
Espinhos.
Sem-vergonhas.
Assanhaços.
O vento, a brisa, a chuva.
Lá vem o sol.
A salada, o chá, a sopa, o café.
O café, o pão, a nata, o chão
o céu invertido
A bengala, a muleta, a atadura,
o curativo.
A alma, o espírito, o corpo, a dor
a roupa, o desastre:
O óleo, a fritura, a carne em assadura, a dor, o desgosto.
A matança para a fome.
O crime é o bicho pego no laço covarde, traiçoeiro.
Para você, ocupado o 0800 do éter.
Ninguém fala mais no grátis .
Principalmente o céu.
De que céu você pensa vir?
Preste atenção.
salsa
cebolinha
quero alface lisa
brócolis
hortelã
erva-cidreira
pimenta brava
de arder,
vermelhas, verdes,
as de ver e as de comer, aliás,
são todas
verdadeiras.
Almeirão,
tomate de montão,
rasteiro, de pé.
Como chuchu.
Louro,
abóbora,
laranja,
limão-cavalo.
Jabuticaba,romã,
mamão,
bananas
em cacho,
espremer,esmagar,
cuspir sementes, como pássaros.
Beber, solver,
como borboletas.
Flores
aos borbotões,
botões,
cajus,
maracujás.
Mangas.
Uvas-vinho.
Abelhas,
centenas, milhares,
milhões, milho.
Plantares.
Fubá.
Mandioca.
Ah, o principal:
ouvir e conversar, nessa língua faminta,
assim.
Capinzal.
Aranhas, bigatos,
minhocas,
lagartas,
lagartos,
calangos.
Espinhos.
Sem-vergonhas.
Assanhaços.
O vento, a brisa, a chuva.
Lá vem o sol.
A salada, o chá, a sopa, o café.
O café, o pão, a nata, o chão
o céu invertido
A bengala, a muleta, a atadura,
o curativo.
A alma, o espírito, o corpo, a dor
a roupa, o desastre:
O óleo, a fritura, a carne em assadura, a dor, o desgosto.
A matança para a fome.
O crime é o bicho pego no laço covarde, traiçoeiro.
Para você, ocupado o 0800 do éter.
Ninguém fala mais no grátis .
Principalmente o céu.
De que céu você pensa vir?
Preste atenção.
por um fio__________________________________

Há ainda,
em algum lugar do planeta
um riacho,
diacho, tem que haver,
onde
a água escorre lentamente,
muito limpa,
transparente,
dá para ver peixinhos
e seus burburinhos
um pouco mais além,
tem também,
um recosto de água
cheio de taboas
ali, mais adiante
o tempo flutua,
escorregando pela margem
levando
cores, luzes e sombras
na imagem
lânguida e distorcida
da paisagem.
um riacho,
diacho, tem que haver,
onde
a água escorre lentamente,
muito limpa,
transparente,
dá para ver peixinhos
e seus burburinhos
um pouco mais além,
tem também,
um recosto de água
cheio de taboas
ali, mais adiante
o tempo flutua,
escorregando pela margem
levando
cores, luzes e sombras
na imagem
lânguida e distorcida
da paisagem.
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