quarta-feira, 22 de abril de 2009

carnaval




É absolutamente irreal
levar à sério
a fantasia
ideal
dançando meio-samba
meio nada
igual
este fevereiro venial.

Mrs popov

de sobra um gole
o fôlego
é sóbrio
a consciência
é mole


Cuspe

há dnaliens
em seu pequenos lábios

Gibi-teatro

lá vem a calcinha
toda de algodão
poça aqui
poça ali
umedece o vão
o soutien
meia-taça
arregaça
o tesão
o corpo,
que combinação!

Azul Cruzeiro


Matutice beagá à 1/2 lua

janeiro
janesce
2008
- milenia
a ousadia-
celeste
alquimia
da sofista
socratiana
- 1/2 lua nas minas gerais-
brejeirice
num jenascer
em janeiro
-por inteiro-
mestre à revelia:
marialice

Blefe


Joguei
banquei
paguei
apostei
duvidei
ousei
dobrei
cruzei
suei
- ganhei!

Madrugante

As luzes são tarde
ruas em movimento
lento,
frio,
no banco de detrás
lânguida
a madrugada
meio trôpega
meio bêbada
repassa o traseiro da noite
feito calcinha jogada no meio-fio

Piorei para melhor

Uma foto de 20 anos atrás
refaz
a anotação no verso,antiga,
como cicatriz de ferida,
diz:
'não engula minhas jóias, querida'

Ourives da alma

às vezes, é preciso
desenhar
a dor na pele,
suavemente,
como um ventinho
sem assustar, de lado,
reles revés
da tempestade
abortada
cortar
sem sobressaltar
de mansinho
a superfície humana,
sem delatar
a autoria,
riscar à vontade
fósforos
benzendo
acesos
segredos
ao pe´do umbigo...


terça-feira, 21 de abril de 2009

Azulejo



Me encoste na parede
Me dê xeque-mate
Deixe o telefone tocar
A secretária-eletrônica atende
Sopre seu fôlego de gata
Dentro da minha boca
Levante com assanhamento meu decote
Abaixe sem vergonha minha calcinha obsoleta
Lambuze-se
Lambuze-me
Faça o serviço completo
Complete-se
Me complete


Janela
Lá está
Um passo
Além
Um laço
Aquém
Um espaço
Também

Memória à esmo numa tarde de sol que arde até mais tarde com um choveu de manhã, agora não em 10/12/2006
É dezembro
Me lembro
Um descuido sonolento
Acendo

De repente
Guia minha mão
No vão de suas pernas
Guia minha mão
Entre suas coxas
Não
Não me desate do seu nó
Afrouxe seu desejo de estar só
Esteja a fim de mim
À sós....

Trafos










Escandalosamente a placa sobressaia-se frente ao tecido de alumínio trançado, feito casa de abelha, fazendo-se de muro. A placa, desnuda e cheia de letras dizia: Precisa-se de .... (aí vinha o palavrão para um ser ignorante sem cuecas e com peruca pubiana)... ‘Projetista de Trafos’.
Noite by noite os olhos miravam a mesma súplica: ‘Precisa-se de Projetista de Trafos’. Ao espichar de um semestre de idas e vindas, na mesma calçada bêbada, sem salto alto, ali estava sem batom, mas cruel, o pedido: ‘Precisa-se de Projetista de Trafos’. À beira vertiginosa da Avenida dos Autonomistas, em 1978, pouco escancarada, a Brown Boveri, Osasco, reluzia silenciosamente mato acima. Cadê o projetista? E de que raios é feito o trafos?
Isso mesmo. Até meu pai, falecido, sabia desde 1930: são geradores, ou melhor, transformadores de energia para luz.
De poste em poste, lá vai mais um bêbado sóbrio, de trafos em trafos....


Lounge de Hotel 5 estrelas

....Foi um estrago
A esquina e o poste.
A salvação foi a parede.
Brutalmente ela foi empurrada contra os tijolos.
Uma disse para a outra: Desculpe a má palavra, mas você me lembra a minha cunhada.
E a outra respondeu, antes de agarrá-la e beijá-la: Desculpe o meu mau comportamento, mas você me lembra o que eu adoro fazer na cama...
MMMMHHHHHUUUUÁ....


Mulher ciumenta e bem-humorada

Se essa tal de Larissa aparecer por aqui, corto todos os ‘ésses’ dela e tasco-lhe um bem dado cedilha. Vaca! E vice-versa ou vice-verssa...


Salão de Cabeleireiras Lésbicas

Penteados ao meio, risca de língua, Topetes à base de saliva, Pranchinha labial, Alisamento digital, Depilação manual
Massagem corporal com Wandona, mestre em fricção pubiana e tète-a-tète.


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Feche os olhos e leia com a mente





Ainda na cozinha , a pé da lenha queimando, com fervuras sobre as brasas enlouquecidas, uma chávena de ervas soltando fumaça, pão macio , partido grosseiramente pelos dedos grossos do Idoso Sábio, com unhas arredondadas e um pouco amarelecidas. A pele muito fina, deixava transparecer as veias azuladas. O ambiente, iluminado pelas velas, era quente e aconchegante. Lá fora, na charneca,a neve caia silenciosamente respingando a noite.