segunda-feira, 20 de abril de 2009

Feche os olhos e leia com a mente





Ainda na cozinha , a pé da lenha queimando, com fervuras sobre as brasas enlouquecidas, uma chávena de ervas soltando fumaça, pão macio , partido grosseiramente pelos dedos grossos do Idoso Sábio, com unhas arredondadas e um pouco amarelecidas. A pele muito fina, deixava transparecer as veias azuladas. O ambiente, iluminado pelas velas, era quente e aconchegante. Lá fora, na charneca,a neve caia silenciosamente respingando a noite.

Antes que as baleias devorem as pizzas

Feche os olhos e leia com a mente de narinas auditivas:

Ainda na cozinha , a pé da lenha queimando, com fervuras sobre as brasas enlouquecidas, uma chávena de ervas soltando fumaça, pão macio , partido grosseiramente pelos dedos grossos do Idoso Sábio, com unhas arredondadas e um pouco amarelecidas. A pele muito fina, deixava transparecer as veias azuladas. O ambiente, iluminado pelas velas, era quente e aconchegante. Lá fora, na charneca,a neve caia silenciosamente. (to Hivich , ainda...)


(inacabado e a continuar futuramente, quando houver pizzaiolos aquáticos...)

domingo, 19 de abril de 2009

Psitacídeos


Voam ao lerdo, asas em sustentação, avançam reles ao espaço, estabanados, soberbos e alegres, longe do chão, vestem o ar à sua passagem: de verde, vermelho,azul, preto e abóbora, tudo em algazarra e gritaria. Confusão. Bicos e unhas fecham e agarram feito alicates, rasgam e ferem sem a menor cerimônia. Elegantes, arrancam cascas de castanhas, frutas, sementes. Não é incomum vê-los sondar silenciosamente o infinito, às vezes prolongadamente. Cismam com o horizonte, ouvindo o que não sabemos. Insônia.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

À luz do dia-Primeiro ato e meio

Na abadia
À luz do dia
Uma jarra de água resfria
Sob um dos arcos
Que tal ajuste
Media
Exatamente
Dois noviços
Em seu
Primeiro
Dia.

Para assistir aos ofícios
Se pedia
Silêncio e respeito
Mais a oração
Que se anuncia
E de todo jeito
Um mistério se pronuncia.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Conversês de Cozinha-Abreato

Idade Média (das personagens): 178 anos
Alho e azeitonas pretas grelhados
sementes de tomates ao caldo de romãs, com riscas de camarão e tirinhas de dedo-de-moça

Primeira Idosa (sem bigode e com o cabelo
lilás) – Se você decifrar o passado, certamente encontrará o futuro.

Idoso II (com barba e costeleta /de porco/ nas mãos): Os cientistas vivem fazendo isso
para justificar sua própria ignorância sobre o desconhecido.

Idosa III (de
bigode – problema hormonal) – Todos eles, para mim, parecem mais leigos do que
estudiosos. Não são eruditos, são? Leigos, talvez. Pianistas ou onanistas,
sabe-se lá...


Primeira Idosa Lilás- Leigos? Isso me parece coisa de primeira
comunhão!...Perdi o confessionário. Entrei na latrina. Era noite, não me lembro,
chovia, não me lembro, por que me lembrei?... (coçou as rugas)

IV Idoso (de
pele acetinada e lábios carnudo, avermelhados, sobrancelhas em lápis da mesma
cor...aparece de chinelos) – Não gosto de religiões. Parece-me infantilidade
mal-resolvida.

Idoso II – Freud tinha razão, então? Ou será Marx. Ou ambos,
sei lá, os dois tinham barba, não?

Idosa III – Gosto de rebuscar o passado,
não de redesenhá-lo como fosse descrição tiradas daquelas folhinhas bucólicas do
jardim-de-infância.

Primeira Idosa (sulferina) – Ou primata?

Idosa III(de pelos ruivos) – Qual a diferença?

V Idoso (chega sem sandálias, pés
muito alvos, de cuecas sob o roupão aberto e desengonçado) – Chiii, que conversa
é essa aqui? Cadê o chá? Tem conhaque? E o cigarro (tossindo...)?

Idosa III
– Quanta pergunta, idiota. Diz que você não é o famoso molóide? O famigerado
verme?
Idoso II – Ou debilocéfalo?

V Idoso – Ah , vão banhar-se na lama!
Vão!...Tudo aqui está é muito velho.