sábado, 9 de fevereiro de 2013

Nosso invólucro humano

É só uma gaze
com cuspe de camaleão
pétalas de algodão
água de chuva
barrenta
gosma de farinha 
de rosca
sumo de mexerica
suco de limão
 suor de vespa negra
chaga lazarenta
febre do feno
perfume de manjericão
pólen de hibisco
asa de jataí
pé de cabra
vapor de pressão
nuvem
espirro de cão
casca de ovo
raio e trovão
palha de milho
pó de arroz
chulé de cobra
lágrima de jacaré
cecê de pólvora
bafo de escuridão
choro de birra
miolo de pão
gema 
clara
placenta






Embora cheia, a estrada está vazia

É como nosso estômago,
embora cheio
parece vazio...
Nada mais nos sacia
Líquido, sólido
Você sabe o que quer?
Você sabe do que precisa?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Again: DayBreak of Loneliness or a Small Farm

I want the ground
the beated soil
pounded by swallewed vúdca
deaf ears of sound

Silence of the night
cold gate
daybreak with whip fashion
comes to solve the ticks calm so bright

The morning brings
poor poetries
and they are so proud
the people who visit us
without truth
and fill us up with longing
those ones who do not arrive till us
Lord, what can I do?

Hopelessly, I'm listening for your footsteps
Looking for a meaning
I'm able to be seen
on the crossing of the roads
Can't you see me, yet?
Now, I weigh a net

(30/05/1979 Faculdade de Comunicação Social 'Cásper Líbero', São Paulo-SP- tradução: Hivich)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cócegas das estrelas...

Tenho  grandes amigos
a contar nos dedos
há mais de trinta anos aqui
e eles me fazem rir 
a todo momento
gargalhar na realidade
em que nos falamos 
às vezes
e raramente nos encontramos
mas nos vemos
com olhos que a maioria não se vê
Não tenho explicação
São amizades que transcendem o tempo
o universo
a vivência 
a convivência
a natureza
Porque nem precisamos falar
apenas emitimos sons
das palavras
alegremente pronunciadas
É natural
espontâneo
visceral
nada mais falamos fora do escopo realidade
ainda assim extrapolamos
só rimos
porque nos é dada
a verdade
com a qual nos
fazem cócegas
as estrelas...

Como as nuvens no céu de verão inquieto

são densas as tuas mãos
macias
que acariciam e tocam mais que o coração
são tensas as tuas palavras
as esvazia
de farpas que arranham mais que a emoção
podias chover mais
e não porque é só verão
podias jorrar mais
e não porque é apenas verão
podias mais
e não por que sois tuas mãos
é porque cai a garoa em pleno final de janeiro
em Ribeirão
mesmo cuidadas
minhas plantas não sobreviverão
nem sei como será fevereiro
carnaval, 
aí vem março
olhar as nuvens, olhar os humanos
que fazem parte do que 
então?
tuas palmas
em quais das duas acreditarão?