sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Manjar!

Há anos não comia um.
Minha mãe fazia com a maestria de mãe.
Aliás, nada mirabolante em sua cozinha: tudo simples e saboroso.
Hoje, tudo rebuscado e neurótico!
Passam por maratonas de degustação e perícia,
como num laboratório de DNA,
como se o velho e bom fogão tivesse sido assassinado,
e o alimento exigisse novas e torturantes magias!
Num Planeta de fome, mestres se diplomam em iguarias!
O que isso significa?
A quinta essência dourada da porcaria!
Oh, chefs famosos,à la  Indiana Jones
saqueando 'arqueologicamente' tumbas secretas de segredos:
culinárias e o alimento dos deuses futuros: longevidade e inteligência!
Não vejo nenhum chef famoso poupando animais em abate descomunal.
Aliás, se deliciam com isso.
Iguarias sem igual.
Ervinhas, só para variar...
Vamos ao matadouro!
Aviso, nada à mesa, tudo in natura e da pior forma!
Há gente que gosta....

domingo, 2 de dezembro de 2012

Chuvas de dezembro em dezembro tropical

Dezembro é assim
um mês diferente
porque é dezembro
chove sempre,
 mas às vezes
À noite
de madrugada
à tarde do dia
A chuva de dezembro
é chuva de verdade,
não machuca
não estraga,
acontece,
porque é dezembro
e dezembro é dezembro
um mês especial
Anuncia o fechar de algo
o completar
o cheio
de ponta a ponta
vazio
o fim:
a simbiose
a metamorfose
dos meses
em doze
a dose
porque é dezembro
afinal
férias
Natal
Anuncia o final
do início
o início do final.

sábado, 1 de dezembro de 2012

O que choca o mundo, previsão Maia

Nem pensar que somos nós e que isso vai vingar...
Deveria
Mas, chocar?
Não somos mais aves
Nem mais humanos
Apenas sem as penas, 
cansados de bracejar
imitar
copiar
tentar
estudar
as asas das quais nos perdemos...
inventamos motores
turbinas
foguetes
alimentamos com voracidade````````````````````````````````````````
inconscientes```````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````` (?)
o impulso para os céus`
A Terra
nosso colo
nossa casa
nossa mãe
quanto desprezo por ela...
Porque nos vemos o quão horrorosos
nos tornamos no espelho
Ninguém quer se responsabilizar por espoliá-La
A Terra
como se fosse um útero vadio...
Então?
Sobrevivam ao caos!



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Somos a Casa de onde viemos

Moramos em nós a alma que habitamos
aqui e esquecemos
 nossa Casa mesmo está no sentir,
a construímos continuamente  pedra por pedra
tijolo por tijolo, tábua por tábua
mesmo que seja um cômodo ou dez ou mil
não há espaço para nós o suficiente
assim
afora nós
e novamente a queremos construir
por onde andamos
e ainda não nos satisfaz
queremos mais
às dezenas e às centenas
mais 
e
até não podermos mais
porque a vestimos  pedra,  tijolo,  tábua
e o fazemos em carne, a que odiamos,
nos incomoda a carne,
não a compreendemos,
as vísceras grudentas, pegajosas, macilentas
que cheiram a torcemos o nariz
não resiste ao tempo
que nos resiste:
fingimos gostar, admirar,
então
roubamos as flores, as ervas, as especiarias
porque nossa casa concreta inútil as inveja
belo verniz
imitamos uma natureza feliz
a que não possuímos
nos possui
Nossa Casa não pode ser edificada aqui
porque ela está dentro
em todo canto de nós
fora daqui



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O vir e o ir


Estou na estrada
a estrada  me leva
Eu levo a estrada
Nos seguimos
A estrada e eu
Eu e a estrada
Olho para trás
Ela olha para frente
Olho para frente
Ela olha para trás

                                                                                                                                                Nos olhamos lado a lado
simultaneamente
Ao redor
 Também a linha do horizonte
Lá longe
então
o atrás
vai sumindo
e lá na frente
vai ressurgindo
Como esvaziar um copo cheio
Ao vento
E descobrir que  vai
De novo
Se enchendo
Com o esvaziamento