quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O vir e o ir


Estou na estrada
a estrada  me leva
Eu levo a estrada
Nos seguimos
A estrada e eu
Eu e a estrada
Olho para trás
Ela olha para frente
Olho para frente
Ela olha para trás

                                                                                                                                                Nos olhamos lado a lado
simultaneamente
Ao redor
 Também a linha do horizonte
Lá longe
então
o atrás
vai sumindo
e lá na frente
vai ressurgindo
Como esvaziar um copo cheio
Ao vento
E descobrir que  vai
De novo
Se enchendo
Com o esvaziamento



terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ainda um ínfimo cheiro perfumado de vida por aqui

Uma certa hora da noite
 os apartamentos escuros se enchem de luzes
brincam nos arredores aromas
de banho, perfumes, lanches
Hora de passear com os bichinhos de estimação
de falar com namoradas e namorados
de combinar com amigos a balada
talvez, os  mais reclusos  preparem 
um cardápio elaborado, 
junto à TV, o som, o livro
Não há uma rotina discrepante,
dissonante
É possível ouvir a água que sai da máquina de lavar,
o elevador, 
o abrir e fechar dos portões,
mesmo assim
permanece o perfume da vizinhança no ar
Café coado, omelete, carne de panela com batatas
cerveja, 
às vezes a maria joana
entra no ambiente e este
nada estridente nem repugnante
Guardam os carros, vão à academia ou simplesmente
dão voltas no quarteirão
Nem tudo está estragado
Nem tudo está perdido
Nem todos estão bichados
e doentes
Pode até que sim
quem sabe
Muitos escolhem estar à sós, 
de bem
Serão estatísticas algum dia?
Não deixam de estudar e de trabalhar
Falta algum drama?
Tragédia
Conflito...
Sei não





quinta-feira, 22 de novembro de 2012

meu telhado é um céu de beleléu

Se o quero ver
subo no banquinho, na pia e olho o horizonte
pela janela basculante da cozinha
ou vou ao jardim, subo no banco de madeira
piso na grama, canteiro, peço licença aos galhos e flores
tudo se vê na planície invertida celestina
posso caminhar até lá fora
mais paisagem ainda me espera
abro o portão
miro a serra
o quadrante de arredores
sossegada está a aurora
que me acompanha desde menina
a tarde
a noite
madrugada
feito piscapisca
de árvore natalina



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mariana, Mariana

Seu nome é chama
não fique preocupada
a vida espana
a dor enganada
Mariana, Mariana
ouça a música
da manhã ensolarada
dorme, dorme
nos braços da lua
prateada
Escreva sua história
encantada


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Vela acesa


Um pedacinho de noite
Acordada
Que abraça o sono desperto
lambe a madrugada
janela aberta
à brisa oeste
Quase fria do que choveu
no poente em brasa
adormecida
A sombra tardia
Se apaga
Como ligar a chave