quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Vela acesa


Um pedacinho de noite
Acordada
Que abraça o sono desperto
lambe a madrugada
janela aberta
à brisa oeste
Quase fria do que choveu
no poente em brasa
adormecida
A sombra tardia
Se apaga
Como ligar a chave


terça-feira, 13 de novembro de 2012

O século XX fez muita gente adoecer sem saber

E elas estão vivas, medicadas
para o século XXI
Cheias de remédios e drogas
Vazias de sintomas
repletas de ressonâncias
eletromagnetizadas on line 
Atraem ,feito ímãs, a  espessa
energia negativa:
precisam de mais remédios e  mais drogas.
Outros, não, transitam pelo lixo
incólumes,
lucrativos,
até perderem os dentes
a casa
o carro
filhos e vergonha:
melhor os que perderam só os dentes...

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Meu pai e o 02 de novembro

Hoje seria uma lembrança comemorada
mas, meu pai passa muito longe daqui
ele se foi numa data 
como essa
bem cedinho,
 mal havia amanhecido
 seu sofrimento expirou
exalado
mal sabia
 o meu começara
1973

domingo, 4 de novembro de 2012

sem infância, nossos jardins se tornaram canteiros de flores sinistros



Somos 
 fiapo de unha encravada e roída de pântanos
 cutícula esgarçada do mindinho montanhoso
fio ensebado de cabelo desprendido aleatoriamente pela planície
parcial digitall nas areias incandescentes
 nano gotícula do espirro viral no carrossel de nuvens
 lágrima sangrenta do riso estilhaçado das estações temporais
 caquinha que se desprende do nariz cósmico
 bituca do sol
 birita da lua
 chulé vulcânico
cecê oceânico
 óleo azedo dos eixos polares
 graxa escura das engrenagens tectônicas
caldeira marítima das entranhas em decomposição
maus humores em magma
azia vulcânica da Terra
tornado de células descartadas
 teia do sovaco florestal
onda da tsunami de desgostos

por que nos choram?
Choramos?
cada um
um a um
voltamos ao ponto de partida
sem saída
uns passaram de ano
outros, nem apelando
mas, todos com o boletim escolar humano devidamente assinado
colado em cuspe na própria testa
Reprovados!







sábado, 27 de outubro de 2012

E já estamos quase no ano que vem




Sem recomeçar
Sem interferir
Sem reagir
O ponto de parada está lotado
Você pode não perceber
A barra da calça suja de barro
A fuligem nos ombros
um fio de cabelo pendurado
 resto de ano passado
Debruçado na vitrine
Sem recomeçar
Sem interferir
Sem reagir
O guarda chuva amarrotado
 congelador com restos de comida
Muitas nuvens no céu da noite
Mira aquela estrela sem nome
Você pensa saber
o sentido da vida
Pratos e copos sujos sobre a pia
passa o dia, chega a tarde
a conta no banco vazia
e você só quer beber
Sem recomeçar
Sem interferir
Sem reagir
O suor na roupa veste o ontem
A toalha desbotada no gancho do banheiro
toco de vela
a ressaca da sexta
o porre do sábado
o almoço de domingo
fantasia
O carro na revisão
A questão é que muitos nascerão
E muitos voarão
Mas, muitos nascerão para serem ultrapassados
Mesmo que já quase é o ano que vem
O futuro, sabe, parece
 lanterna guardada com pilhas velhas