quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Desfolha

uma chuva de ocasião
passa de raspão
no meio da noite
em nuvens
de agosto
diante
do céu de inverno
exposto
a contemplação
é encarar Lua e Vênus

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Chegou Mariana, hoje

Seja benvida ao Mundo, à Terra e à Vida

Seu berço é o Planeta

sua jornada o Universo



(ao Sundays -Mingo e família)

A nave estranha do estranho

Apenas um zumbido,

claro, preciso,

que parece mastigar a noite barulhenta,

enquanto a mente

se prepara

para mais uma insônia dormente.

Um som diferente,

espichado, sutil, persistente,

que pousa repentinamente

e, então, silencia.

Porque cala o pensamento.

Ali, ao soslaio da noite,

no amarrotado da cama,

a sensação de alguém lá fora,

estranha. E havia. Um brilho indefinido,

quase desnudo.

E quando, de repente,

tudo fica muito quieto,

o medo parece atear fogo incerto

na vigília seca.

Engatinhando pelo corredor escuro

até a vidraça da cozinha,

o olhar sorrateiro

vê a pequena nave na grama do jardim,

botando ovos violáceos

bem onde dobra o vento.

Então, com a voz sumida,

fingindo que não está,

deixou a gravata de seda italiana

pendurada na maçaneta da porta,

a cashemere inglesa no corrimão da escada,

o recado num bilhete: 'saí '.


(em 17/03/010)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Um ente querido nos acena do Infinito

Nossa existência humana é surpreendente



E trágica



Vivemos como se fôssemos únicos



O instinto nos empurra às cegas



e o pincelamos com matizes de falsa nobreza



Um ente querido se foi hoje



Praticamente jovem e sofrido



dor que o acompanhou por 15 anos



Diz um outro ser querido



que há sempre um lindo propósito



até mesmo na doença



Outro ser querido diz que a terra



silencia para absorver as estações



Quero crer que nossa passagem



serve, afinal, para despojarmo-nos



de tudo o que construimos



com um único propósito:



o de sermos antiUniverso





(in memorian de Denise Campana, pessoa que conheci com raridade)








terça-feira, 24 de julho de 2012

Imaginamos a vida e ela nem nos sonha

Não somos uma raça evoluída e nem especial

Tolos os que creem nisso

Simplesmente estamos aqui

E fazendo a maior bagunça

A vida, não. Segue impassível

ilesa, silenciosa, soberana

Até o que para tolos humanos é morte

para ela, é vida em todos os sentidos

e direções.

Nada perde

Nem sabe quem somos

apenas que estamos

A imaginamos bela, forte

Ela nem nos sonha

Está em tudo

Nós?

Não estamos com nada.