quarta-feira, 7 de março de 2012

Dieta espiritual infalível contra o câncer de próstata, impotência , cobrança de pênaltis e outros males masculinos, como calvicie e abdômen volumoso


- Amar a Deus sobre todas as coisas.
Não é preciso morar na cobertura, do chão mesmo, pode se render à Deus, sem gimbas e garrafas de cerveja, só no xixi
2º - Não invocar o nome de Deus em vão.
Que chatice toda hora pedindo Deus me ajude, Deus me ajude. Nem sua mãe aguenta, imagine seu vizinho.Lave sua cueca e vá passear com o cachorro
3º - Guardar domingos e festas
Que saco, domingo é dia de curar a ressaca. Fica quietinho aí no seu canto e dorme! Esqueça a merda do seu time e a vizinha do 38
4º - Honrar pai e mãe.
Claro, desde que você saiba quem eles são e você saiba quem é.
5º - Não matar
Pelo amor de Deus, guarda esse revolver, porque você não sabe atirar e vai fuder tudo
6º - Não pecar contra a castidade.
Isso mesmo, vá sorumbar sua marola lá no mato e se fizer na sua cama, lave os lençóis, seu porco
7º - Não roubar
Para quê, se tem a sua mesada e seu salário? Quer ficar obeso, desgraçado?!
8º - Não levantar falso testemunho
Seu mentiroso de uma figa. Vá dedar outro.
9º - Não desejar a mulher do próximo
Aí, fica embaçando a felicidade dos outros. Batalhe a sua. Quer adotar também os filhinhos dela, pagar a conta de luz, mané?
10º - Não cobiçar as coisas alheias
Nem vem que não tem, sacou? Vá trabalhar, vagabundo!

terça-feira, 6 de março de 2012

Sua página em branco

Escreva-se

Diga como você é

Do que gosta

Do que detesta

Diga do seu jeito

À sua maneira

O que veste no seu corpo

O seu andar

Se esconde?

Onde você está?

Escreva sobre os seus olhos

Sua língua, fala o quê?

Seus gestos

Seu perfume

Sua aula

Seu trabalho

Sua casa, seu apto

Seu lar

Seu esconderijo

Escreva sobre suas unhas

Seus sapatos

Suas manias

O que você come?

O que você lê?

Suas desilusões

Suas crenças

Escreva sobre seu nariz

Sua cama

seu lápis

Sua caneta

Você se desenha?

Escreva sobre seu cabelo

Você varre o seu espaço?

Tem 'bichinho' de estimação?

Você pega ônibus?

Anda a pé

Pega trem

Briga?

Você se vê no espalho

como se vê?

Sabe beijar?

Diga aí, escreva-se


domingo, 4 de março de 2012

Por que não olhamos mais as belezas do Planeta?

Outros fazem pior: miram e atiram



Querem destruí-las



A que propósito?



Porque fechamos nossos olhos?



Um jardim, uma praça



um grilo



uma borboleta



paturi, quero-quero



lagarto tiu



um riacho



um lambari



um bagre



curimbatá



dourado, mandi



uma floresta



uma cachoeira



uma montanha




o vulcão



até mesmo a fileira de árvores no outono



suas folhas secas no chão



as sementes que caem e estalam ao sol



a areia ardente dos desertos



as dunas



as ondas do mar



os paredões rochosos



a neve que desenha horizontes tão delicadamente



como intangíveis



uma gaivota



um pelicano



um marlin espadachim



uma cachalote



um jabuti



um bicho preguiça



gorila



panda



tigres



elefantes



girafas



leopardo



a savana



o cerrado



o pântano



o charco



a geleira



nuvens e vento



Não olhamos mais as belezas da Terra



Por que?






sábado, 3 de março de 2012

Destinos contrários tão iguais

A vida é o seu destino
Seu destino é a vida
como gêmeos da felicidade
e infelicidade
se é que há gêmeos da tristeza e da alegria
nada combina
com a fatalidade
senão o caminho das escolhas
nada mais que isso
olha o espelho
da temporalidade
gêmeos não são gêmeos de verdade
apenas combinam na oportunidade
é o ser em duplicidade
é o ser que divide a metade
incompleta
quase perfeita
O destino é a face inteira
confessa
que a vida expressa
em você
olha com e nos dois olhos
não em um só
e deixa
impressa
a única via destra e mestra
do caminho que lhe atravessa
borda sua imagem
no espelho
avesso, esquerdo
direito e torto
senão a sua própria miragem
senão um eu de si mesmo
a margem e o esmo
do erro e acerto


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Revirados, remexidos ,espionados entre achados e perdidos

Hoje puxei um revirado




do mesmo mês em que estamos




e que data de 1980




remexi em mim mesma




mas no atiço da certeza clara




me deparei com a sombra




de outra mão e olhos




na mesma reveria


Como sei?


Minhas gavetas, armários,


nichos, livros e penduricalhos


têm a alma de minhas palavras escritas


umas bobagens, outras miragens


Desde pequenininha gravo a assinatura


existencial assim


Umas reais , outras pagãs


e ordinárias


'seres imaginárias'


como define Riviti, há tempos


em mim


Me vejo ao relento da invasão alheia


sem respeito


sem amor


me sinto sob a suspeita


em meu próprio relicário


Mas, segue a vida e o meu mantra


'tudo passa'


repetidas vezes sem repetição.