segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Num cabe mais, gente, num cabe mais no Carnaval de Tiradentes-MG



Aqui tem insolente



irreverente



contundente



e amigos da gente



A cidade está abarrotada de alegria



fantasia



companhia.



Chega! Num cabe mais nada



de diferente.

Iguaria de fadas

Lá vem o súbito

dança o de repente

emudece em susto

o sorriso

cílios de alegria

sorri disfarçadamente

sai rápido

pisando duro no

pé de vento

insolentemente



domingo, 19 de fevereiro de 2012

O córgo

Faiz barulim

baxim

de cachoera

A vida passa

dessa manera

Faiz favô

embruia


um bocadim

na argibera

de um tantim

de mato que chera

perciso

de curá a preguicera

Vamu aproveitá


si nóis bobea

u trem ja'

passô...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Boato verdadeiro são e salvo

Dizem que invento palavras
não,
à só as componho
como música
viajo em tortuosa e bela
melodia
a palavra soa
sibila
faz cócegas em cedilha
pontua
esbraveja
arrepia
arranha
estapeia
acarinha
alisa feito luva
esgana feito torniquete
arrebenta feito ferro
brilha como jóia
assombra
assusta
intimida
fortalece, claro
cura!


(ao meu eterno amigo Hivich, sem o qual jamais pensaria em futuro )

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Tostão furado, previsão cheia

Grécia, Síria, Irã
Todo mundo quer ver a solução
e eles só fazem soluçar
reclamar, brigar, matar
Não há emprego
Só de pensar na África
arrepiamos
Fome e Aids
Não há emprego
Mas, o mundo tem um crescimento aterrorizador de bilionários
E mesmo diante da pobreza
esses pobres continuam procriando mais pobrezinhos
Sou daquela laia que crê que os pobrezinhos, mesmo,
são os animais que vão aos milhares pro matadouro
Mas, uma réstia de humanidade ainda existe
Pobres haitianos, pobres mexicanos, pobres
pobres e pobres humanos ordinários
da cracolândia
dos morros e favelas, esses que limpam as ruas,
tiram o lixo,
provocam filas de velhinhos nos guichês
de repartições públicas
Não há emprego
Outro dia liguei na Polícia Federal, antes das oito horas
Me atendeu um cara, com voz de polícia armário
Disse-me que o atendimento iniciava-se a partir das oito horas
Liguei às oito horas, às oito e quinze, às nove horas
Ninguém atendeu o telefone...
Pobres da América Latina
Não há emprego
Nas avenidas Sul de Ribeirão, Ferraris, BMWs, Hyundais,
MiniCoopers, LandRovers, Audis, Mercedes, Kawasakis
Kasinskis
Pobres ordinários do Planeta Terra
Crêem que 2012 vai ceifar a todos
Pobres
Não há emprego
Nem sabem que já existe um contingente bem protegido
armazenando água, comida, remédios, roupas protetoras, armas,
equipamentos e toda sorte de bens a salvaguardo
Compram até lotes em outro Planeta
Pobres ordinários da Europa
velho continente
Sabem que só sobrevivem os mais fortes
os mais ricos
os mais preparados
Pobre humanidade
que vive do trabalho
feito burro de carga
Não há emprego
Não sabe o perfume chanel
a borbulha Cristal
pelotinhas de caviar
aquela cheiradinha marota
a pílula azul
a safra do vinhedo ancestral
vai de buchada, mesmo
Pobres e ordinários funcionários
batem no peito o nome da fábrica
da empresa
Pobres
que bebem cerveja em bares
pulam o carnaval
 que dormem nas ruas
fazem xixi na sarjeta
que trepam em motéis rentes às estradas
que comem torresmo
engolem cachaça em pets
não tomam banho e nem fazem massagens orientais
Pobres que vão à sauna extravasar 'a libido inflamada'
como diz Riviti
Pobres ordinários da economia mundial
como dizem os jornalistas
Pobres garimpeiros de diamantes negros
a escravidão sem fim, ainda
Nasceram assim
certamente morrerão assim
Eis a profecia Maia
Aos montes, sem montes para os socorrerem das inundações
sem bunkers para protegê-los do Sol
sem comida
alvos do ataque nuclear
sem petróleo
diesel
gasolina
internet
encharcados de pinga e crack
Outros , mais nobres, morrerào sem ver
entupidos de anfetaminas e cocaína
Muitos bebês mamando sangue e droga,
com a boca cheia de formiga
A exemplo de seus pais.