Dia primeiro do ano
de quantos?
Por aqui, 2012
nos brasis
Logo de cara, café
xixis
água
mais café,
mais água
xixis
Um caniço nicótico
entre a varanda e a TV
Quem?
O Papa
Basílica de São Pedro
Roma
Itália
- claro que foi a algoza de meus nonos -
e sua lotação de filiados
crédulos e portentosos
Cheguei na hora da hóstia
ao som de um coral de homens
na platéia
ora, pensais, atéia
mais homens de fraques, smokings
as damas, senhoras e mulheres de preto
outras e outros de si mesmos
Fora os 'pecados'
uma manjedoura abastada
expõe a réplica inerte e ariana de um
menino Jesus, o pobre, gorduchinho
cabelos acobreados
olhos azuis
sozinho
bracinhos querendo abraçar
perninhas querendo xispar
em berço de enfeites majestosos
castiçais de ouro,
velas brancas
puras
A lente da TV crava o piso do chão
foca o Papa
lá longe
bem apartado
da multidão
Uns sentados
outros de joelhos
A missa, graças, estava no gran finale
Mais graças, ainda,
perdi o sermão
Mas vidrei nos acessórios
tudo em ouro
o anelzão anular direito do Papa
'Papa Tudo', como dizemos aqui às escondidas
e às claras
O trono é isso
para não dizer pior
As hóstias
de boca em boca
de améns
um luxo imensurável
E fui acordando com o café
os olhos
o nariz
o estômago
os intestinos
o coração
nada em mim é mais musical e religioso
que a poesia latrinal