domingo, 1 de janeiro de 2012

O silêncio, a dor e as labaredas

 
 
 
 
que eu possa
adormecer
acordada
observando
o dia
e a noite

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O maciço compacto de tiradentear



Tiradentes tem logo um impacto,
uma torrente, um rumo contundente,
a Serra São José, exuberante,
presente.
Abraça incontestável história, viva, perene, de Tiradentes.
O Alferes, 
 formoso, pequeno gigante.
Vá até ele, dê a sua mão,
olhe nos olhos de quem não para de olhar você.
Porque vê tudo ao redor, incontinente.
A cidade, de quem mora, de quem chega,
mantem-se muito e pouco rotineira.
Aberta, reluzentemente decente, religiosa.
Crê em leque de fé.
Abertamente.
Tiradentes, cidade,
cresce rapidamente
devagar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

2012, vamos lá, coragem,não acredite em milagres, faça-os

Já sei o que nos espera,





fechamos a janela





e lá está ela,





horrenda, escancarada,





a porta de saída,





escura e bela,





dá entrada à vida








Hoje já somos passado








e me olho anteriormente








Basta, fantasmas, basta








Nos recompoem erros consertados








Estou no presente








lá ................................................................................na frente





Inconsequente abismo,


me aviso,


fundo raso de pouco saber.


Surpreendente saber o chão de não saber,


sem fundo.


Saiba.


Faça sua muda no mundo








Por que a descrença e a desconfiança? 2012, sim, tem tudo para exterminar a humanidade!

Fazendo minhas contas



aqui no lápis e na calculadora



resolvendo intrincados teoremas



queimando as pestanas nas mirabolantes fórmulas



desde o zênite ao equinócio



perscrutando as pirâmides



as catacumbas



as trincheiras



os estábulos



o círculo de fogo



as falhas geológicas



as placas tectônicas



a literatura de cordel



a bíblia dos tolos



e seus livros sagrados



Batata!



Na mosca!



Os Maias estavam certíssimos.



Neste final de 2011



já foi claramente enunciado e constatado



que há vestígios de humanidade, apenas



E são raros os seres verdadeiramente humanos,



mas é preciso que a patologia forense se empenhe muito



nos exames minuciosos de DNA



caso a perícia colha efetivamente material autêntico



proveniente de um legítimo exemplar da raça



Talvez nas extintas bibliotecas



em salas concretas de aula



no leito de algum fio de rio esquecido na floresta



de um trecho ou outro de árvores centenárias



quem sabe na platéia de teatro sério, cômico e trágico



ou pendurado nas paredesmilionárias de museus fortemente vigiados



talvez, nas cavernas sorumbáticas sem grafites e pixações



quiçá no mofo e lodo de cidades históricas



Hum...



não ví nada nos cofres públicos



Minhas equações dizem que será humanamente quase



impossível



encontrar a humanidade em 2012



Os shoppings, bares, restaurantes e guetos de comércio populares



estarão lotados do rebanho antihumano



assim como ruas, estradas e estacionamentos



repletos de seus cascos combustivizados.



Peninha...



Mas, em homenagem a 2012, mantenhamos



a esperança.



Crave aqui sua colaboração em reais.



Ajude como puder



Com obstinação encontraremos nossa raiz



sequinha



mas, passível de ser datada e identificada



dá-lhe carbono 14 ...






segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

100 anos? Até quando queres viver?

lembra-te de teu dia de hoje
lembra-te de teu amanhecer
lembra-te de teu sorrir
de tua música
de teu espairecer
lembra-te do teu silêncio
da tua alegria
do teu sonho
da tua fantasia

ao anoitecer

lembra-te da mesa vazia

das cadeiras cheias

do copo de cerveja

tua iguaria gordurosa

a geladeira de fritas e miojos

cheia de ímãs delivery

na madrugada fria

trôpega

nem achas tua chave

chega em casa emprestada

alugada

te consideras o panaca do pedaço

bate cabeça

xinga alto

bate a porta

porque sabes que não tem volta

então, recomeças

do ponto de partida

sem ir a lugar algum de tua vida.