quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ledo engano, use o tutano!

Cidadão
aprenda de vez por todas
Não existe fato isolado e nem fora do comum
Reaja
Aja
Ao ser abordado por facínoras
bote os bofes para fora
indigne-se ao extremo
pois é extrema a urgência
de sua ação
Não existe Estado e nem segurança terceirizada
O que você paga
é em vão
Sustenta apenas a turma do fundão.
Bote esta turma para correr
à bala
de chofre
e suas sequelas.
Ah, existem, sim, outros humanos,
como você,
que não têm nada a perder
pois é.
A não ser a eleição.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

hivich, dear hunter


Não sei se você aprendeu a dormir

me lembro

acordados

da TV em preto e branco

como era possível em alma

assistir aos clássicos

final dos anos 70, início dos 80`

de meia noite em diante

São Paulo, SP, Vila Campesina,

1979

o que havia na geladeira

um tostex de ovo

pastel

pão de forma

chá preto

frio e copa

cigarros

seus olhos verdes

na luz amarela

trepidavam

Eu subia as escadas do sobrado

degrau por degrau

enebriada


a cabeça cheia de sonhos

e contados

livros abertos, filmes,

aulas, ônibus,

lá eu,

na madrugada,

dormindo ao som de Doctor Hook e Jovem Pan

FM

minhosamente

Sharing the night together

Não é?


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ela está dentro... e fora


E vai e sobe e voa
nada como gente à toa
eu
em terra
mirando um único ponto tangível no horizonte
e ainda faço continência
admiro o vento
a biruta do aeroporto
a rajada de muitos fôlegos
soprando a aeronave
que entorta a curva
com as perninhas
feito passarinho
sem pressinha
segue...
em asa turbinada
de leve

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estilhaços existenciais em suspensão


Minha química humana





não é solúvel em água





nem ar, terra, fogo





talvez a alquímica da alma





faça toda essa compostura





existencial



em rasura





pelos poros da insustentabilidade





sustentável





não seja , de pronto, insolvente,





talvez, insolente





entre mim e você





houve a precipitação





do heterogêneo





genial





o externo semissólido





o interno insólito



desde o som



ao musical





Deixo meus cristais





parcialmente sofrendo





em líquido incompatível






estou em vida feito escarro






grudada em cuspe






na etérea


manufatura em barro


inicial






sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ao turbilhão da catarse






deve ser como catar-se






depois de sermos esmigalhados






pelo tornado da mente e seus abjetos






quando revolve o porão






o sótão











que carregamos na ordem e desordem











em equilíbrio e desequilíbrio











crendo que tudo se resume ao sim e ao não











aninhando aos socos, palavrões e pontapés











lágrimas, cabelos arrancados,











tremores, tombos, rancores,











mágoas, decepções,











fantasias e ilusões,











sonhos mal acabados,











ao espelho do contrário das expectativas,











perante o outro de nós mesmos a quem nos acusamos











no baú trancado da alma inflamada











pela via de acesso mais escura











onde ressona a raiva











enquanto o ódio descansa











ambos prestes ao estopim











em faíscas intermitentes











lançando dardos sadomasoquistas











como alinhavos grosseiros da postergada











loucura






em completa varredura de seus






guardados e achados






cuidadosa e desastradamente