quarta-feira, 18 de agosto de 2010

hivich, dear hunter


Não sei se você aprendeu a dormir

me lembro

acordados

da TV em preto e branco

como era possível em alma

assistir aos clássicos

final dos anos 70, início dos 80`

de meia noite em diante

São Paulo, SP, Vila Campesina,

1979

o que havia na geladeira

um tostex de ovo

pastel

pão de forma

chá preto

frio e copa

cigarros

seus olhos verdes

na luz amarela

trepidavam

Eu subia as escadas do sobrado

degrau por degrau

enebriada


a cabeça cheia de sonhos

e contados

livros abertos, filmes,

aulas, ônibus,

lá eu,

na madrugada,

dormindo ao som de Doctor Hook e Jovem Pan

FM

minhosamente

Sharing the night together

Não é?


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ela está dentro... e fora


E vai e sobe e voa
nada como gente à toa
eu
em terra
mirando um único ponto tangível no horizonte
e ainda faço continência
admiro o vento
a biruta do aeroporto
a rajada de muitos fôlegos
soprando a aeronave
que entorta a curva
com as perninhas
feito passarinho
sem pressinha
segue...
em asa turbinada
de leve

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estilhaços existenciais em suspensão


Minha química humana





não é solúvel em água





nem ar, terra, fogo





talvez a alquímica da alma





faça toda essa compostura





existencial



em rasura





pelos poros da insustentabilidade





sustentável





não seja , de pronto, insolvente,





talvez, insolente





entre mim e você





houve a precipitação





do heterogêneo





genial





o externo semissólido





o interno insólito



desde o som



ao musical





Deixo meus cristais





parcialmente sofrendo





em líquido incompatível






estou em vida feito escarro






grudada em cuspe






na etérea


manufatura em barro


inicial






sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ao turbilhão da catarse






deve ser como catar-se






depois de sermos esmigalhados






pelo tornado da mente e seus abjetos






quando revolve o porão






o sótão











que carregamos na ordem e desordem











em equilíbrio e desequilíbrio











crendo que tudo se resume ao sim e ao não











aninhando aos socos, palavrões e pontapés











lágrimas, cabelos arrancados,











tremores, tombos, rancores,











mágoas, decepções,











fantasias e ilusões,











sonhos mal acabados,











ao espelho do contrário das expectativas,











perante o outro de nós mesmos a quem nos acusamos











no baú trancado da alma inflamada











pela via de acesso mais escura











onde ressona a raiva











enquanto o ódio descansa











ambos prestes ao estopim











em faíscas intermitentes











lançando dardos sadomasoquistas











como alinhavos grosseiros da postergada











loucura






em completa varredura de seus






guardados e achados






cuidadosa e desastradamente






quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ao Viver me sinto em férias


Não tem hora para dormir



nem acordar



Fazer a cama pra quê?



Café da manhã,



só se valer também na madrugada



TV falando sozinha desde cedo, tarde



e noite afora



Ligar e desligar à vontade



Música, toda ela e se gostar só aquela



Camiseta, havaiana, calça de abrigo,



no frio



no verão, bermuda e camiseta e havaiana



que importa?



Comer, nada de almoço, jantar,



vale a fome de qualquer coisa



e seja uma coisa que valha



ir ao fogão por prazer



e fazer o prazer



senão, solicitar um dos itens de cardápio



delivery



nada sujinho, engordurado:



pão


ou não

e



alfacinha, ovinho, tomatinho,



queijinho,



peixinho



quem sabe aliche



pizza



gorgonzola



Um tinto Casanova



bem provado


levinho


cerimoniado


Tudo é tempo


e tempo é Nada


Vagarosamente



Lave as partes


todinhas


banho nas partículas


estilhaçadas


compactas


Como um jardim: perfume-se


aos olhos


Separe o lixo


como se fosse pássaro


e


borboleta



pois é assim


que é Viver no Planeta
Espane a vizinhança
faça cócegas nas amizades
no amor
use um travesseiro e cobertor
se fizer calor
refastele-se
Não grite
sussurre
cochiche
à raiva e ódio
mostre os dentes
sorrindo
É um deserto,
mate a sede com água...
Promova o batismo
O mais importante,


alimente e guarde muito bem o seu animal


não, não aquele ente,


como diz Sobrinhão,


mas o ser que é você


ao natural