quarta-feira, 21 de abril de 2010

Papagaio Testamenteiro com enfado no topo da sibipiruna

Com um crânio de largatixa na ponta de uma das asas estendida
e a outra coçando com uma pena de outono mutante o cocoruto
distrai-se sofismando:
da vóia à nóia et pinóia
ou será o contrário?

terça-feira, 20 de abril de 2010

O mel imbatível dos deuses do fel: jiló

Basta ser brasileiro?
Não, tem que ser mineiro.
Agora, por inteiro,
apanhe ou escolha jilós verdes,
comprido ou arredondado,
de preferência o primeiro,
seja educado
- lave-os
corte-os em quatro
do cabo a rabo,
mergulhe-os
com cuidado
em água e sal grosseiro,
mais ou menos,
dez minutos.
Isso amansa o amargor
que é próprio da herbácea,
que tem fama de grudar o fígado
na boca,
e a boca no fígado,
ambos em delicada companhia.
Sem surtos culinários.
Bobagem, aprendizagem,
o que conta é a camaradagem.
Depois da molhagem,
escorra
e leve calmamente à água
até o estágio fervente:
susto
de amolecer
o mais renitente.
Aí, ao dente,
retire do recipiente
e mostre seus dotes
de serpente:
cebola roxa,
laminada religiosamente,
um teco de mel ao aniz,
compadecidamente
biquinho in natura,
sem semente,
limão cravo, dos mais valentes.
Pode ser mais ousado,
quando acrescenta
ao prato
migalhas generosas de salsa fresca,
ao vapor que exala
a iguaria ainda quente.
O acompanhamento
é aquele repente
que surge ao seu gosto
naturalmente.

Brasília e Tiradentes

Se tivéssemos políticos decentes
os cinquenta anos da capital federal
- hoje também e ainda um péssimo exemplo-
seriam celebrados de forma diferente.
Ainda estamos à sombra da forca
dos impostos exorbitantes
Pudéramos comemorar
um outro Brasil
a cada 21 de abril
de sonho inconfidente
Quem sabe em novembro...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ainda não é o fim do mundo, portanto, retornem já às suas almas...

Esse negócio de enfiar os pés pelas mãos
de jogar a sujeira debaixo do tapete
falar abobrinhas
agarrar com unhas e dentes o bem alheio
virar casacas a cada ciclo de eleições
trocar alhos por bugalhos se lhes é conveniente
tirar o cavalo da chuva
ao aperto do cerco
prometer mundos e fundos
sem fundo algum
pensar na morte da bezerra
enquanto outros penteiam macacos
fazer tudo nas coxas
vender gato por lebre
sem abrir o jogo
sempre fazendo favores com o chapéu dos outros
e acham que é o negócio da china
que ninguém está vendo
lavando as mãos?
isso não tem pé e muito menos cabeça.
É bom arregaçarem novas mangas
dar o braço a torcer
e lavar a roupa suja.
Nem de longe é o fim do mundo
mas está muito perto o fim das mentiras
das negociatas, dos abusos,
das tramóias.
Nenhum ser humano decente
temente
se presta a essas canalhices.
Está na hora do basta.
De por mãos às obras.
Não se prestem mais a serem pau mandado
peões,
fantoches de falsas promessas.
Coloquem a boca no trombone,
metam o nariz onde não foram e nem serão chamados,
Sem bandeiras, mas com a cara e a coragem
munidos de moral, ética e caráter.
Não sabem o que é isso?
Não saciam a fome?
Pois, aprendam e se já sabem
comecem a agir. E rápido.
Se não quiserem levar tamanha dívida
ao juizo final.
Pois, muitos de nós, estarão sentados na primeira fileira,
olhos bem abertos e um longo dedo de justiça
apontando bem para a cara de cada um de vocês...
Piamente.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sazonal com soluços e catarata

Gosto de épocas


particularmente nocivas a quase todos:


natal, reveillon, carnaval,


semana santa,


21 de abril,


ano eleitoral.


Me divirto e me compadeço,


conforme a data específica.


No Brasil
( e em outras partes do Planeta)


só falta o dia do imbecil.


Tem dia para tudo,
até para o trabalho,


à mercê de uma tradição de piqueniques
e pancadaria.
Aliás, quase toda diversão hoje acaba
como caso de polícia.


Mas, não tem o dia do imbecil.


Todo político tem mania de Hitler


ou de Nero ou de Tut (Tutankhamon)


Gostam de obras faraônicas


ainda que elas sejam Maias


Romanas, Gregas , Incas, Astecas etc
Têm que ser gigantescas.
(algo falho no fálico de cada um?)
Consomem um custo proporcional
ao nosso desproporcional.
São idealizações tão grotescas
que o acinte monumental
não é visível aos olhos do raciocínio.
Vamos instituir o Dia do Imbecil.
Para não fugir à regra institucional,
aceito sugestões pagas.
Só não vale o dia primeiro de abril.