sábado, 6 de fevereiro de 2010

Fevereiro em dose dupla


Arco iris
no Bosque das Juritis

Senhora das Mercês, Tiradentes (MG)

Uma igreja de 1754 berço dos braços e mãos
negros, mulatos
escravos
e que hoje abriga
seus santos
com devotos e
devotados
aberta a tudo quanto é tipo de gente
até esta em perfeito ato
de devoção, ao contrário.
Acredite ou não.

Uma tarde qualquer de Verão



É Ribeirão Preto



terra roxa



canavial



Pinguin



Colorado



JP



USP


Lá está ela,


visível satélite


navegante


diria até


hipnotizante


em seu janeiro 2010



farol



em passeio



com itinerário

aberto ao sol


Me diga agora

se é dia

em azul




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Bolhas de pedra

Frente a frente


com a 'lei' da mais valia


primeiro, o espanto


a taquicardia


depois, a dor


a azia


mais tarde, o odio


a desinteria


um grito de socorro


que ressoa em eco


desertor


da parvaria


cria bolsões
de porcaria


de miseria


tudo inunda


o bolor da covardia


o mormaço da apatia


com eles, um gesto


sem o cabo da faca


sem a bala na agulha


sem o voleio do chicote


apenas


unhas pintadas de mundos


ah, unhas imundas,
mas, quem observa?


lá vai o salto 15


todo capenga
desgovernado


pelos paralelepipedos


urbanos




terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

José e Alice, meu pai e minha mãe no início de 1973

Tão raros e tão comuns
Como julho e agosto
como arecas e bicos de papagaio
como Itália e Líbano
como 1915 e 1929
como São José do Rio Pardo e Itirapuã
como Brasil em São Paulo
como São Paulo no mundo
como Fagiolo e Felippe
como Giuliano e Badra
Como Naila e Willian
como Lúcia e Mirian
como Analice
como tabule e pão d'agua
como graxa e azeite
como coração e psique
como 1973 e 1976
como Evelise e Diego
José Domingos e Liliane
Ana Antonia e Luís Paulo
Alice Maria e João Francisco
como preto e branco
como sorrir e chorar
como viver e conviver no limiar
do oposto
ao avesso da morte
e sobreviver
ao sabor
do efemero
generosamente prolongado
como lembrar e não esquecer