Fragmentos de uma existência inconformada, abduzida pelas letras e seus sentidos . Um periscópio sideral sob o manto encarnado.(by Lúcsia/ Lúxia e sempre José Riviti)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Bolhas de pedra
Frente a frente
com a 'lei' da mais valia
primeiro, o espanto
a taquicardia
depois, a dor
a azia
mais tarde, o odio
a desinteria
um grito de socorro
que ressoa em eco
desertor
da parvaria
cria bolsões
de porcaria
de miseria
tudo inunda
o bolor da covardia
o mormaço da apatia
com eles, um gesto
sem o cabo da faca
sem a bala na agulha
sem o voleio do chicote
apenas
unhas pintadas de mundos
ah, unhas imundas,
mas, quem observa?
lá vai o salto 15
todo capenga
desgovernado
pelos paralelepipedos
urbanos
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
José e Alice, meu pai e minha mãe no início de 1973
Como julho e agosto
como arecas e bicos de papagaio
como Itália e Líbano
como 1915 e 1929
como São José do Rio Pardo e Itirapuã
como Brasil em São Paulo
como São Paulo no mundo
como Fagiolo e Felippe
como Giuliano e Badra
Como Naila e Willian
como Lúcia e Mirian
como Analice
como tabule e pão d'agua
como graxa e azeite
como coração e psique
como 1973 e 1976
como Evelise e Diego
José Domingos e Liliane
Ana Antonia e Luís Paulo
Alice Maria e João Francisco
como preto e branco
como sorrir e chorar
como viver e conviver no limiar
do oposto
ao avesso da morte
e sobreviver
ao sabor
do efemero
generosamente prolongado
como lembrar e não esquecer
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Era um jardim, virou praça, virou avenida, virou o que virou
E eis que nasceu um cacto
demoradamente
o vaso de cerâmica com bicos de papagaios
que adoram a estiagem
folhinhas de comigo ninguem pode
orquideas
um catavento que vai desbotando
alegremente
gira e gira
ao vento torto
enquanto as nuvens em desabamento
abotoam a cidade e suas ilhas
de aquaplagem humana
Veem à tona
rapidos e frescos
pingos
da chuva
Corpo boia vivo
ou morto
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