Gueguê, na verdade, se chama Greta Garbo
sua nova amiga, Thenorinha Barriquela Ferrari,
a jabuti que nasceu 'Flor do Pantano'
Mas, essa confusão toda
não pára aqui
Vai longe
e se depender de Thenorinha
o longe é mais longe ainda.
Ambas gostam de andar pela grama
fazer xixi nela
ficar ao sol da manhã:
- E, aí, branquela peluda, lá vem água, de novo. Vai ficar para se molhar?
- Não amola, cascuda, chego ao sofá mais depressa que você.
Nenhuma das duas gosta de chuva, ao menos
no pelo, no casco,
molhar as patinhas.
Gueguê fica refastelada sobre almofadas
na varanda e se der trovoada, pula em cima da cama.
Thenorinha se esconde atrás de vasos
em cantinhos sombreados
sobre a pedra São Tomé
ou 'corre'para debaixo de qualquer móvel.
Ela gosta mesmo de ficar atrás da geladeira.
- Aqui é quentinho...
- Aqui é macio e tem o cheiro de minha dona, diz Gueguê. Se eu sentir frio, ela vem e me cobre.
- Ela me dá uma comidinha muito gostosa. Frutinhas, verduras e uns grãosinhos macios..
- Ah, isso é bom mesmo. Gosto mais do chamego que ela faz pra eu comer. Mistura aquilo um com aquilo outro e coça minhas orelhas. Eu queria um bifão com osso, mas não posso, tenho que fazer dieta.
- Ah, eu gosto do meu cardápio, tem um pouquinho de mato, de farelo, de planta.
- Ruim, hein.
- Nada, é uma delícia. Depois eu durmo bastante.
-Ah, eu gosto é de um bom passeio, ficar olhando a rua, sentar na mesa de boteco. Minha dona me leva sempre que pode. Ponho o focinho na mesa e fico lá quietinha. Aí, vem um e diz 'que belezinha, colerinha de fuxico, não pega nada no prato, só toma aguinha gelada...' Tiram fotos minhas. Só não gosto de gente que vem me passar a mão. Humm... não teem o cheiro da minha dona
- Eu gosto que afagam meu casco. Tenho muita coceira e não posso me coçar, minhas patinhas são curtas. Também gosto de terra,buracos, vegetação, mas essa de boteco, não conheço, não. Será que a minha dona me leva algum dia? Eu durmo muito. Posso dormir na mesa, também?
-Ih, cascuda, você é muito pequena, ainda. Num dá não. E não é qualquer lugar que nós bichinhos podemos ir. Os humanos não gostam. Dizem que levamos micróbios e sujeira. Imagine! Eles que já carregam tanto dentro e fora deles mesmos. Já viu o banheiro que eles usam? Um nojo! E a cozinha? Mas,quando você crescer mais, dou um jeito de você ir junto...
Fragmentos de uma existência inconformada, abduzida pelas letras e seus sentidos . Um periscópio sideral sob o manto encarnado.(by Lúcsia/ Lúxia e sempre José Riviti)
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Falência múltipla de órgãos pensantes
Ora, ora, se não ,
a ilusão
que se esvai
no bueirão
das chuvas de verão
e tudo embarca na enxurrada
de roldão
brasil, brasil
lá se vai também
a indignação
intelectualizada
é crescente a lua
da admiração para o que,
no passado da intimidação,
ceifou, sem gloria,
vidas
Como, agora, brilham
o verde oliva
o coturno
o fuzil
institucionais
Contos de fada
se tornaram reais
assim como algumas candidaturas
presidenciais
Aprendi, desde pequena,
aquela cantilena
orai e vigiai.
Hoje,
cheirai e vigiai...
Carnaval com broa de fubá , recheio de uva e molho de cana
Vida boa, ôo
é ficar à toa
esperando a maré baixar
Vida boa, ôo
é a chuva de garoa
que molha sem estragar
Vida boa, ôo
é ter nada que doa
e se doer
tem jeito de sarar
Vida boa, ôo
é ter uma canoa
e vara de pescar
Vida boa, ôo
é ficar na proa
pro barco descer o mar
Vida boa, ôo
é ser gente que voa
pra asa não desacostumar
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
Realejo de Blues and Jazz for 'Hivich'
Desembrulhe um ambiente
em papel de seda
purpura
recheado de poeira cosmica
em que orbitam
languidas criaturesas,
de reinos sem pantano,
apenas almas liricas
que fazem da lama melodica
mascaras de beleza
reluzentes,
rebolando.
De quebra,
curam a ressaca com
cataplasmas de cataclisma,
para a cutis viscejar,
realçar pálpebras de kripton,
sob olhares de viés em neon,
que piscam begonias esverdeadas
- o cérebro carnudo,
tricota pensamentos
em
batom rouge,
entoando madrugadas
nos muros com
unhas de guache,
enquanto a
lingua de puro malte
e nicotina,
desenha frases gregorianas,
feito estilhete recortando
vitrais humanos
em
capsulas espaciais:
ei-lo,
no disfarce de Afrodite,
pigarreando improperios e profecias quotidianas
lilases
em asas de aleluias
no Largo do Arouche.
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