segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Bem feito para usted Venezuela!

Se o Haiti é aqui,
o Irã é aí!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Realejo de Blues and Jazz for 'Hivich'

Desembrulhe um ambiente
em papel de seda
purpura

recheado de poeira cosmica

em que orbitam

languidas criaturesas,

de reinos sem pantano,

apenas almas liricas

que fazem da lama melodica

mascaras de beleza

reluzentes,

rebolando.


De quebra,

curam a ressaca com


cataplasmas de cataclisma,


para a cutis viscejar,


realçar pálpebras de kripton,


sob olhares de viés em neon,
que piscam begonias esverdeadas


- o cérebro carnudo,
tricota pensamentos


em

batom rouge,


entoando madrugadas

nos muros com

unhas de guache,


enquanto a

lingua de puro malte
e nicotina,
desenha frases gregorianas,


feito estilhete recortando

vitrais humanos


em

capsulas espaciais:
ei-lo,
no disfarce de Afrodite,
pigarreando improperios e profecias quotidianas
lilases
em asas de aleluias
no Largo do Arouche.








sábado, 23 de janeiro de 2010

Planeta com calcanhar vitreo de Aquiles e aqueles outros...

(pano para enxugar o suor de tédio escorrendo pela testa-

lá vem o mesmissimo assunto de bugres)

Obs.: o ser humano é replica de si, fazer o que? O Haiti não é só ali, é aqui e acola, alhures...


Por isso...


A Terra mostra os intestinos

(dela e os nossos)

quebra ossos

esmaga sonhos

soterra futuros

expõe entranhas

espreme cérebros

porque Ela

desassossega

vira de bruços

transpira

e quando o faz

derrete placas vulcanicas

tambem moe a dor

a plenos pulmões

com muito mau humor

e esquisitice

A Terra revira o estomago

tectonico

coça suas partes intimas

tem alergia a humanos

Isso quando não nos vomita

e regorgita

nosso lixo em nós mesmos

ah, ei-nos, célebres genios de nossa propria magma idiotice



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Natureza ao prato


Respingue chuvas torrenciais


generosamente


salteie com trovões e


acrescente instantaneamente


relâmpagos


vá mexendo e rezando


devagar


concentradamente


enquanto na TV a cabo,


se ainda houver energia suficiente,


fala sozinho um clássico em preto e branco


pulverize com a cantoria dos pingos (sem is)


batendo vigorosamente


como nas calhas,


ainda assim, afinadamente,


tudo na justa medida


cuide para que


ao despejar o vendaval


não desande do ponto


faça-o sem pressa


deixando em chama bem farta


de velas


por tudo quanto é canto


da poderosa panela


deixe sua psique se manifestar


em delírio


ainda falta muito a ajustar


e equilibrar os temperos


no martírio das ervas


pouco sal marinho



que costuma adensar



impiedosamente

no fofo escuro de cada nuvem


e muito vinho tinto


para sua perfeita


descoordenação


enquanto


esquenta seu coração


disparado


desviando sua cabeça do


borbulhar volumoso


triz a triz



de possível sangria


apertando a colher de aves-maria


nas mãos trêmulas.


A receita pode demorar


ou chegar ao ponto


rapidamente


Tudo vai depender


da harmonia dos ingredientes


Salute e amem


Porque , a sobremesa,


será um belo e espantoso


arco iris.















quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um vento de luz


Já vai para o final de tarde

depois de uma chuva leve

e suas nuvens revoltas

para chegar com elas

o vento que bate portas

range o portão

abre janelas

balança os galhos

esparrama as flores

no chão

brinca com os pássaros

com asas e pétalas

assovia na passagem

e deixa a casa escancarada

para a luz do verão

(foto em Tiradentes/MG/BR)